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Do Futebol

Blog de análise ao futebol: sério, irónico, crítico, construtivo, mas também intolerante para quem não tem princípios nem entende que a vida está muito para além dum pontapé numa bola.

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Blog de análise ao futebol: sério, irónico, crítico, construtivo, mas também intolerante para quem não tem princípios nem entende que a vida está muito para além dum pontapé numa bola.

PORTUGAL-HUNGRIA

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Portugal ganhou um jogo fácil em que domimou a seu bel-prazer a equipa magiar. A Hungria, como todas as nações representativas do antigo bloco de leste, esteve muitos anos em reestruturação social, algo a que o desporto não foi estranho, bem pelo contrário, pois muitos dos grandes clubes de antanho eram suportados pelo próprio Estado. Reestruturada a economia e o modelo de desenvolvimento -- não vou discuti-lo --, o futebol tende a recuperar dentro do novo contexto. Ontem, ao ver "esta" Hungria, perguntei-me onde estavam Florián Albert ou Ferenc Bene, os grandes jogadores da selecção de 66. Da equipa finalista de 54, Czibor, Puskas, Kocsis, nem se fala.

 

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Voltemos à actualidade. Se a Hungria assenta o seu jogo na componente física, e na cobrança de faltas de que ontem não se viu sombra, já o futebol português só ocasionalmente ultrapassa o que assistimos: modelo de jogo sedimentado no passe curto, lento, dominante -- forte com os fracos... -- mas enfadonho. João Mário e Quaresma dão umas "sapatadas" de vez em quando, e trazem algo de excitante pela técnica e pela velocidade. Ronaldo procura fazer, mas não precisa: basta tocar na bola e o público fica histérico, perdoam-lhe os exageros, aceitam-lhe as habilidades circenses. O capitão nacional parece mais à-vontade, agora que tem um ponta-de-lança em quem confia. O primeiro golo resultou duma boa jogada colectiva; o segundo, da visão de um jogador* e do talento doutro; o terceiro, da ingenuidade do guarda-redes adversário. 

Não gosto da maneira como a generalidade da crítica comenta este tipo de partidas. Classificam de excepcional o que de banal não passou, enaltecem qualidades inexistentes, escondem defeitos óbvios. Esquecem que jogámos contra a modesta Hungria. Tão-só!

 *André Silva jogou na selecção como não o faz no Porto. Teria passado a bola no lance do segundo golo, se estivesse a jogar de azul e branco?

 

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A actual fórmula da campanha de apuramento para as grandes competições internacionais privilegia o poder económico, isto é, a UEFA, a FIFA, as televisões; e o do futebol, isto é, as respectivas federações. A elencagem dos grupos classificativos demonstra-o de imediato. O objectivo é que nenhuma das potências fique arredada da grande festa. E, para que nada falhe, anunciam, com o ar mais cândido do mundo, que vão passar de 32 para 48 o número de participantes na fase final: cereja no topo do bolo. Os jogadores disputam demasiadas partidas anualmente?, que importa?; a maior parte dos jogos provoca o tédio?, os fanáticos tudo "comem"... É para isso que existe indústria tão sofisticada.

Penso que se deveriam colocar as nações futebolisticamente mais pequenas numa pré-eliminatória que permitisse a posterior constituição de seis grupos de quatro países, de cujo equilíbrio muito havia a ganhar em termos de espectáculo. Apurados os dois primeiros de cada grupo, é de crer que a Europa ficasse bem representada na fase final disputada a 24, não a 32 e muito menos a 48. Trata-se de um campeonato do mundo de futebol, não de um casamento em que é obrigatório convidar a família inteira.

 

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Nota:

Ronaldo continua a queixar-se da falta de carinho, genericamente falando, dos portugueses para com a sua pessoa. É espantosa a falta de humildade do madeirense (porque será que Eusébio nunca de tal se queixou?), a qual só tem paralelo na ideia egocêntrica que faz de si próprio. Retirada a inveja do dinheiro que ganha; dos carros que tem; das mulheres (e dos homens) com que acompanha; do facto de ser associado ao Sporting; deformações bem ao estilo luso, que fica? Ah, sim, é verdade! As comunidades de emigrantes... a imagem de Portugal no mundo... e mais umas quantas falácias por todos reproduzidas. Muito provavelmente, as imbecilidades do senhor Dijsselbloem, fizeram só nestes dias maior dano a Portugal, do que tudo o que de bom possa o país ter beneficiado da carreira do atleta. Temos todos a certeza de que Ronaldo projecta mesmo a imagem de Portugal, ou antes a sua, a própria? O nome do jogador é associado pelas massas anónimas a quem? Ao facto de ser português ou a jogar no Real Madrid?

Que fica, questionei-me atrás: um quase analfabeto, falho de preparação académica, rico, arrogante, birrento, um privilegiado que sabe dar uns pontapés numa bola, e que, como todos os futebolistas sem mais que elogiar, rapidamente será substituído no apreço e na admiração pelos mais talentosos dentre os vindouros ao mundo do futebol. Vem a propósito dizer que ontem revi Paula Rego. Sabes, Ronaldo, qual é a diferença entre os teus chutos e a pintura da senhora? Os quadros dela ficam!

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