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Do Futebol

Blog de análise ao futebol: sério, irónico, crítico, construtivo, mas também intolerante para quem não tem princípios nem entende que a vida está muito para além dum pontapé numa bola.

Do Futebol

Blog de análise ao futebol: sério, irónico, crítico, construtivo, mas também intolerante para quem não tem princípios nem entende que a vida está muito para além dum pontapé numa bola.

CAMPEONATO NACIONAL 2017 / 2018 - VIGÉSIMA QUARTA JORNADA

SEGUNDA PARTE

 

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O PORTO venceu sem margem para dúvidas. Pergunto-me o que se estará a passar com os adversários últimos dos nortenhos, que entram em campo já completamente derrotados. Como o Porto não tem uma grande equipa -- vide Liga dos Campeões --, devem ser os pequenos que se assustam bem para além do razoável.

 

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O SPORTING começa a dar motivo para as anedotas e insinuações que acerca da equipa se tecem. Apostados em entrarem para o Guinness World Records, os leões voltaram (pela 6ª vez) a vencer já para além do tempo limite. Ficamos a saber que o tempo regulamentar de jogo passou a variável, isto é, depende da altura em que o Sporting marcar um golo a mais do que os adversários.

Grande equipa, que tamanho coração tem (proeza: consegui escrever isto sem me rir).

 

TREINADORES

 

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Sérgio Conceição

Estamos a fazer uma época de acordo com o historial do FC Porto, a ser dominadores, fortes e competitivos.

Seria verdade se o Porto fosse uma equipa... de bairro. Contudo, tal como o Benfica, o clube há muito extravasou as fronteiras do próprio país. A participação internacional, nomeadamente nos jogos com Besiktas, Leipzig e Liverpool, está ao nível do historial do FC Porto?

Já agora: o Porto ainda não ganhou nada esta época.

 

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Vitor Oliveira

Marcámos cinco golos ao FC Porto numa temporada.

Teria valor se... houvesses ganhado em alguma dessas ocasiões. Os resultados alcançados demonstram que a equipa mantém virtudes e, infelizmente, também os defeitos.

 

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Jorge Jesus

Brindou-nos com alguma inovação nos comentários.

A mais insinuante foi a forma como criticou os adeptos do Sporting. Ai se o Bruninho sabe que andas a dar tautau nos meninos dele...

Na semana passada fez um perigoso acto de contrição ao afirmar-se responsável pela lesão de Dost. Olha que o Bruninho pode vir a precisar de pretextos para te pôr na rua...

Contudo, rapidamente voltaria ao modo "carroceiro da Porcalhota". Foi noticiado que um representante de Wendel terá questionado o facto de o atleta ainda não ter jogado, dois meses depois de ter chegado.

O treinador leonino não foi de meias medidas:

Não sabem com que clube estão a falar ou com que treinador estão a lidar.

Hum! Hum!

CAMPEONATO NACIONAL 2017 / 2018 - VIGÉSIMA QUARTA JORNADA

Nova jornada tripartida no que se refere aos jogos dos grandes.

Vamos por partes e ordem de entrada em campo.

 

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O BENFICA

Esteve à beira do colapso durante a primeira meia-hora. Posteriormente começou a assentar jogo e a mostrar atitude de quem queria mudar as coisas que até ali tão mal lhe haviam saído. Diga-se que tanto alheamento e desconcerto tinha nome: Paços de Ferreira. Os nortenhos apresentaram muitos dos reforços de Janeiro, personagens de um querer, agressividade e garra que permitem admitir-lhes uma interessante performance na fase final do campeonato.

Na segunda parte tudo mudou. Os encarnados fizeram o mais simples, isto é, jogaram futebol ao primeiro toque, com rápidas desmarcações e enorme pressão sobre a área contrária. Remetidos à defesa, os pacenses pouco mais podiam almejar. Cedo começaram a ficar pelo solo ao mínimo encosto. Valeu ao espectáculo o empate benfiquista, e, sobretudo, o 2-1 (obrigado, Jonas), que possibilitou haver jogo até aos 97 minutos.

 

OS JOGADORES

 

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Pizzi viu-se em palpos de aranha para acompanhar o elevado ritmo de jogo adoptado pela equipa na segunda parte. Não é uma questão de dias; é de características do atleta. Nas condições citadas, mostrou que não consegue acertar um passe que seja. Deveria ter sido substituído ao intervalo.

 

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Rafa, por seu turno, parecia peixe na água. Bola na linha, corre comigo a ver se me apanhas, e a confiança que advém de saber que é titular até que a "vaca sagrada" volte a estar em condições de jogar.

 

OS TREINADORES

 

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João Henriques

Aludiu a famoso "fair-play da treta", originário da boca do maior embuste do futebol português. Adiante. O que me chocou, foi o facto de o treinador nortenho estar equivocado, pois foi o seu próprio atleta quem não conseguiu entender o que deve ser "jogo limpo", ao chutar uma bola ao solo à distância de mais de cinquenta metros do local onde o árbitro havia mandado parar o jogo. Quiçá Deus estivesse acordado àquela hora, e, com pozinhos de perlimpimpim, de imediato colocou o esférico no pé esquerdo de Jonas para que a justiça fosse feita.

 

DIVERSOS

 

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1) Antes do encontro entre Athletic Bilbao e Spartak Moscovo, a contar para a Liga Europa, cerca de 150 adeptos da equipa russa envolveram-se em violentos confrontos com os adeptos e polícia local. Desta rixa resultou a morte dum agente, vítima de paragem cardíaca.

Atenção ao caminho para onde supostos intervenientes do futebol estão a arrastar a sociedade. Tragédias como a descrita fazem-nos equacionar o futuro duma modalidade actualmente à mercê de infrenes agitadores e fanáticos.

 

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2) O Villareal anunciou, em comunicado, que, até que haja uma decisão definitiva do tribunal, o contrato de trabalho e o salário de Rúben Semedo permanecerá suspenso. O atleta foi ouvido na quinta-feira por uma juíza que decretou a prisão preventiva, sem possibilidade de pagamento de fiança, com o fundamento de possibilidade de continuação de atividade criminosa.

Compreendo perfeitamente que os amigos existam para os maus momentos. O que já não entendo é que se dê relevo mediático a mensagens e apoios explícitos -- como é o caso de Gelson --, e se omita que o atleta poderá muito bem ter cometido o conjunto de crimes de que é acusado. E, nalguns deles, em clara reincidência. É que mais parece estar-se a absolver quem deve ser condenado.

Se o crime é público e alvo da maior crítica por parte das pessoas de bem, a amizade -- compreensível -- não  deverá ir para além da esfera privada. Não baralhemos a Estrada da Beira com a beira da estrada.

ESTORIL-PORTO

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O Porto, muito provavelmente, colocou uma pedra sobre qualquer veleidade que Benfica ou Sporting ainda pudessem ter quanto á atribuição do título de campeão nacional 2017 / 2018.

Os portistas cumpriram a sua tarefa na Amoreira. Impuseram um futebol de toque curto, apoiado e veloz no momento da decisão, ainda que muito beneficiasse da passiva defesa canarinha. O Estoril, tal como alvitrei no último post, encheu-se de medo, adoptou estratégia incompreensível e permitiu que o adversário dominasse em todos os sectores do terreno, apesar de estar a jogar com o vento -- não muito, ainda assim -- pelas costas.

 

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As referências vão para a estapafúrdia decisão do árbitro ao validar o primeiro golo portista. Uma bola parada. Como é possível que juiz, fiscal de linha e VAR ignorassem o posicionamento irregular de quatro jogadores, todos a tentarem interferir na jogada, e, no caso de Soares, a contribuir efectivamente para iludir Renan? (Parece que agora se diz algo como causar impacto)

A segunda ressalva vai para a lesão de Alex Telles. Parece prematura qualquer conclusão, contudo, será lamentável a hipotética futura ausência dos relvados do defesa-esquerdo (tal como é a de Krovinovic).

 

ARBITRAGEM

 

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João Capela e Vasco Santos fazem-nos pensar se estamos a assistir a uma competição séria ou a uma palhaçada. E os grandes... sempre os grandes beneficiados.

 

AINDA O TONDELA-SPORTING

 

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As reacções leoninas, treinador, director de comunicação, comentadores, às incidências da partida realizada na segunda-feira, deixaram-me estupefacto. Pretender ter razão naquelas circunstâncias, só pode resultar de um fanatismo patológico. E já agora: alguém dentre aqueles já se preocupou em questionar o estado físico do atleta do Tondela agredido por Wiliam? Nem mesmo o último? É, no mínimo, uma questão de fair-play desportivo.

 

BLOGNOVELA

 

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Sua Majestade D. Bruno promoveu as primeiras cortes do seu novo mandato. Recebeu, em audiência, uma delegação do Clero, Nobreza e Povo, a qual lhe entregou petição escrita. Que queriam os treze para assim incomodarem o monarca?

-- Guitos, pilim, aquilo com que se compram os melões -- assim lhe responderam. -- O que possamos vir a perder e o que teremos de pagar a título de indemnização, sem esquecer danos de imagem.

Face à não inclusão de tais verbas no orçamento real, aliado às presentes dificuldades de tesouraria, S.M. decidiu conceder o seu aval a que aqueles efectuassem o respectivo saque junto dos canais de televisão, onde habitualmente se entretêm a berrar com outros "cartilheiros e paineleiros", cito.

Do preâmbulo da nova lei, resulta 

...que passou a ser fundamental... aquilo que o tinha deixado de ser;

...que os sentimentos dos sócios exigem a tomada de posição... bem ao contrário dos aplausos que se escutaram no dia 17;

...que se defendem os interesses do reino... onde antes se havia decidido proceder a fossados e razias;

...que não voltarão a serem ultrapassados limites... que os próprios cortesãos jamais respeitaram.

 

Questionado por Nelito Ensarilhado sobre a razão do seu nome aparecer na décima posição na lista entregue ao meirinho-mor, o rei retorquiu:

-- Não és duque, marquês ou conde. Não passas dum pajem.

-- E os nossos pares, aqueles que não vieram à reunião? -- insistiu o súbdito, algo envergonhado

O rei estendeu a mão e, com o gesto adequado, simulou a degolação daqueles.

Acabada a sessão, os presentes ajoelharam e beijaram a real mão.

CAMPEONATO NACIONAL 2017 / 2018 - VIGÉSIMA TERCEIRA JORNADA

OS GRANDES

 

Terceira parte

 

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O Sporting venceu com um golo ao minuto 99. E vão cinco golos decisivos, alcançados bem para lá do tempo regulamentar. 

Os leões mereceram ganhar, porém, precisaram de um árbitro amigo, e esse não deve ser o papel do juiz. Aos 94 minutos William cometeu uma falta horripilante sobre um atleta do Tondela. O ábitro não viu o óbvio e beneficiou os leões. Capela deixou no ar a ideia que o jogo só acabaria quando o Sporting marcasse. O Tondela não soube jogar com a vantagem numérica, o que denuncia que o sistema defensivo se encontra fortemente arreigado na mentalidade dos atletas.

 

OS JOGADORES

 

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Alex Telles

É hoje, de longe, o jogador mais valioso do F. C. Porto. Parabéns a quem detectou a oportunidade de contratar um futebolista deste nível.

Nota: desconheço as condições em que o atleta veio do Inter para o Porto. 

 

 

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Rúben Dias

Pecam por exagero as luzes que alguns pretendem projectar sobre o jovem benfiquista. Precisa de amadurecer, e mau será que o processo seja artificialmente acelerado. Até porque ainda não teve tempo de evidenciar o que quer que seja para além do óbvio talento. Tenhamos calma. Não é nos jogos com Boavista, Belenenses, Aves, Estoril, Setúbal, Paços de Ferreira, Tondela e quejandos que vamos descobrir um novo Germano ou Humberto Coelho.

 

 

A ASSEMBLEIA GERAL DO SPORTING

 

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Comecemos por evidenciar um facto: o Sporting Clube de Portugal é dos seus sócios, e só a estes cabem as decisões do foro interno do clube.

Posto o que disse, e seguindo a mesma linha de raciocínio, interrogo-me se pouco mais de 5 000 votos são amostra credível do universo leonino. E não me refiro ao suposto número de simpatizantes -- milhões, ao que dizem --, antes aos sócios que pagam cotas. Não me equivocarei se disser que o resultado obtido por Bruno de Carvalho está longe de lhe conceder a legitimidade para fazer tudo o que quer. Sobretudo quando em causa estão alterações aos estatutos ou introdução de um regulamento disciplinar, qual caixa de Pandora da qual se desconhecem as maleitas que se espalharão pelo universo sportinguista. Não é assustador? Para mim, seria, certamente. Todavia, não sou sportinguista.

A linha de orientação que sigo, leva-me agora a abandonar a quantidade para passar á qualidade dos votantes do dia 17. Depois de ver a forma como Severino foi perseguido por dois arruaceiros, sujeito aos encontrões dum ignóbil par de velhos; depois de ver a maneira torpe como alguns associados foram ameaçados em plena assembleia; depois de ver como reagiram aqueles que do pavilhão saíam, face ao abjecto apelo de caça ás bruxas em versão jornalistas feito pelo presidente; depois de ver como Marta Soares vociferava desonestamente que nada vira, pergunto-me: que gente é esta?

 

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Prossigo com a questão dos princípios. Na cabeça de Bruno de Carvalho e seus apaniguados ( fâmulos?), onde cabe a Liberdade de Expressão? E a Liberdade de Imprensa? E o conceito de Democracia? 

E agora? Vão os comentadores desistir da imagem pública e faraónico cachet que auferem por debitarem umas banalidades enquanto berram uns com os outros? Se ontem foi óbvia a atrapalhação que exibiram, procurando a todo o custo lembrar a autonomia intelectual que de todo nunca demonstraram -- casos de Paulo Andrade e Inácio -- , outros há que estarão fora de qualquer dúvida. É o caso de António Macedo, do qual não duvido nem um milímetro da posição que tornou pública, e Pina, que... não conta para nada.

Há, contudo, um caso que me vai encantar descobrir-lhe a solução: Manuel Fernandes. É complexa a situação, posto que tanto o antigo futebolista quanto o filho são funcionários do Sporting. E não se acredite que esteja somente Fernandes em causa, pois é mesmo a partir deste caso que veremos como Bruno de Carvalho vai resolver o sarilho em que se meteu. O comentador, por seu turno, jurou a pés juntos que a decisão será sua, que vai pensar. Olhando para as suas participações no programa da SIC, questiono-me se tal será possível. É que Fernandes é das pessoas intelectualmente mais débeis que conheci em toda a minha vida.

É hora de tentar desdramatizar. Provavelmente nada acontecerá, a montanha parirá um rato, porque:

1) Bruno de Carvalho virá corrigir o tiro, dizendo que "se eles não cumprem", manterá o seu vil facebook (Quando é que Bruno aprende a escrever português?)

2) O presidente dará nova cambalhota e tentará salvar a pele, recorrendo a termos e expressões como ironia... estava a brincar... não era a sério. Vindo dele, não seria caso virgem.

ASSEMBLEIA GERAL DO SPORTING - BLOGNOVELA EP. 10

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BLOGNOVELA 

DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME TIRA

 

 EPISÓDIO 10 -- "L' ÉTAT, C' EST MOI"***

 

*** L' Etat, c'est moi!, anunciou, a 13 de Abril de 1655, o absolutista Luís XIV perante o parlamento francês. Em causa estava a contestação daquele órgão a um conjunto de éditos promulgados pelo rei, a 20 Março daquele mesmo ano, supostamente em prole da justiça.

Qualquer semelhança com uma outra contestação por causa duns estatutos ou  dum certo regulamento disciplinar, é pura coincidência.

 

Vamos à Blognovela

Baldrocas entrou no pavilhão da J.L- Jovens da Lapa, ao som da música "O mundo sabe que...", tema inspirado no "My Way" de Frank Sinatra, ficando sem se saber se estavam devidamente salvaguardados os direitos de autor. Quê!? questionou o Baldrocas: "Quero lá saber dessas tretas, Doyen a quem doer", disse sem surpreender quem quer que fosse, pois há muito estavam habituados a que o presidente se baldasse a quaisquer tipo de responsabilidades.

E aconteceu que Luís... isto é, Baldrocas, que nos últimos tempos aparecera pesaroso, roupas fechadas, tecidos carregados, meias ¾ por cima da baínha das calças, botas de cano alto, gravata descaída, ar sofredor, se deu a tal mutação que, a 17 de Fevereiro, surgiu perante a corte... isto é, a plateia, envergando tecidos mais leves, fato italiano,  roupa interior verde que mais abaixo ficaremos a saber a que propósito para aqui é chamada.

E logo procedeu ao discurso tão aguardado, dedo indicador, tom acusatório, virado para Ti Arnesto:

-- Lapenses, ser Rei de França... isto é, do bairro da Lapa, não é tarefa para amador. Por isso elaborei a lista dos lapaziados, gente que não prestava, mas agora já presta. Passou a ruidosa, abandonou aquela coisa parva da maioria silenciosa, naftalinosa a tresandar a Spínola 1975. A partir deste momento, estão esquecidas involuntárias ofensas. E tudo porque eu ganhei. E, como tal, decreto e imponho as pazes, estando-me nas tintas se os gajos se ofenderam ou não. Pedir desculpas? Desde quando um cromo com 87% dos votos tem de justificar o que quer que seja? Hem? Hem?

E continuou:

-- Exercendo uma tarefa totalmente divina aqui na Terra, Eu... bom, admito o Nós, leões, ganhámos hoje o direito a impossibilitar a oposição de perturbar ou comprometer a Ditadura Lapense do Novo Estado. Por qualquer meio. Quando me chatearem, vão de frosques. Oito anos de pena sem remissão nem pulseira electrónica.

E, embalado, Baldrocas gesticulava, gesticulava e não parava: 

-- Quando nasci, logo os meus pais me cognominaram de "Luís...perdão, Baldrocas Mete-Medo,o presente de Deus". Bem cedo, por volta dos seis anos, percebi que estava destinado a "Presente dos Lapenses", Comandante da nau Jovens da Lapa -- e interrompendo subitamente o discurso -- Você aí, sim, você que está a perturbar tão glorioso discurso. Sabe quem é o seu pai?

Ti Arnesto, que estava prestes a levar uns empurrões duns velhos bêbedos a soldo do Baldrocas, decidiu intervir com todo o peso da sua vetustez:

-- Olha lá, Luís... isto é, Baldrocas, que direito tens de assim criticar os descendentes de tão ilustre presidente? Acaso te esqueceste de que também acerca da tua paternidade existem dúvidas, tal a aproximação do cardeal Mazarino à tua mãe?

 

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Baldrocas fingiu que não entendera a indirecta e continuou:

-- Como um deus no Olimpo, eu, Baldrocas, Rei Sol, danço hoje, 17 de Fevereiro, diante da plateia da J.L., o “Ballet de la Nuit”, forma de comemorar a minha vitória sobre os opositores. Viva a Monarquia Absoluta que por Direito Divino (6 000 votos) me foi entregue!

Contudo, quero-vos a todos em meu redor em tão fantástico momento; quero que saibais o que previamente decidi, e não... não quero palmas. Escutai-me em respeitoso silêncio:

Ponto um: a partir de hoje não compraremos nem mais um jornal desportivo, assim como o Correio da Manhã; 
Ponto dois: não vejam nenhum canal português de televisão, além da TV Lapa; 
Ponto três: que todos os comentadores afetos à J.L. abandonem de imediato os programas. Que nenhum lapense mais aceite participar e estar ao lado de cartilheiros e paineleiros.

Luis... isto é, Baldrocas, dançava; Baldrocas cantava. Ti Arnesto, ainda ousou questionar:

-- Nem o National Geographic?

-- Só quando exibirem leões -- replicou o Presidente Eterno que não se conteve -- Mas tudo tem que ser muito equilibrado, pois o rei da selva tem de aparecer a comer águias e dragões -- para logo corrigir -- Bom, estes últimos só a título de sobremesa.

Os pobres dos jornalistas foram de imediato alvo de uma "caça às bruxas", Baldrocas acabara de abrir a "noite de cristal":

-- Que se fo... Ficam a saber que não lhes admito artigos contra a minha pessoa -- confidenciou para Murta Só-Ares, que, já no exterior, bufava " Eu não vi nada! Eu não vi nada! É só fumaça!"

Naquela noite Baldrocas não quis tomar banho. Tornadelas, prenhe de oito meses, sentia que ia vomitar, tal o fedor do marido:

-- Quero ficar impregnado da vitória até à última molécula do meu ser -- dizia. -- Horroriza-me o banho completo de água e sabão, tanto quanto me apavoram o Severino, o Cristóvão, a Morais ou o Mendes, isto para não falar no Roquete, no Cunha, no Franco ou no Gordinho -- para logo concluir filosoficamente -- As doenças, tal como os sintomas de inveja, vêm de fora para dentro do corpo.

-- Toma ao menos um banho  morno -- propôs-lhe a Tornadelas -- Deitas uma fedência danada.

Assim se fez, mas qual quê! O homem teve  tremores, ataques de fúria, movimentos convulsivos seguidos de erupções; manchas vermelhas -- suprema ignomínia -- e roxas -- vá lá, vá lá -- no peito. Um verdadeiro ataque de hipocondria aguda. A conselho do Dr. Lindoso, a quem em pleno paroxismo telefonou, tomou uma purga. Rio e bebeu para além do razoável, quase deixou a Tornadelas viúva.

Todo o Clero... perdão, o Paulo Andrade, o Manuel Fernandes e o Augusto Inácio, receberam ordens para rezar pelo Rei ... e eu a dar-lhe e o burro a fugir... pelo presidente, caneco, assim é que é.. Ainda se atreveram a dar um pulinho ás televisões para fazerem o programa da noite, onde, aliás, gaguejaram e se enterraram sem saber o que dizer, mas logo voltaram para ficar de vigília:

-- Vai descansar, Tornadelas, que bem precisada estás -- disseram em uníssono os al-Jalifa Ash-Shair, ou seja, no dialecto árabe, aqueles que se vendem por um prato de lentilhas.

O escriba ia-se esquecendo da explicação acerca da roupa interior verde. Vamos a ela: Luís... gaita, Baldrocas suava muito. Também pudera, fato de fazenda á beira da Primavera, pavilhão sem ar-condicionado. Contudo, ele era considerado “limpinho”, pois trocava várias roupas por dia. O problema estava na clorofila com que os escravos impregnavam cuecas e camisa interior: um fedor pegado... ainda que ele tivesse escolhido para data da reunião o sábado, dia de banho em pleno Absolutismo mais ou menos Iluminado, altura em que, mentalmente, o Baldrocas continua a julgar viver.

Ti Arnesto teve de ser escoltado pelo Mali-Maqui e o Fanã para poder sair do "Pavilhão Talvez Não Sejas Pai Dos Teus Filhos". Desrespeitado, ainda teve a ousadia de avisar os líderes  da J.L.:

-- Este gajo vai de vitória em vitória até á derrota final.

 

FIM

CAMPEONATO NACIONAL 2017 / 2018 - VIGÉSIMA TERCEIRA JORNADA

OS GRANDES

 

Segunda parte

 

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O Porto, tal como aqui deixei escrito na semana anterior, venceu o Rio Ave "com uma perna às costas". O resultado, 5-0, é o corolário de (mais) um jogo sem interesse em que só uma equipa jogou. 

Nunca aceitei a afirmação de que após uma derrota internacional dos nossos grandes, o próximo adversário interno "pagaria as favas". O Rio Ave não tem nada a ver com o Liverpool; a humilhação de quarta-feira passada não se limpa/esquece com uma qualquer vitória no campeonato indígena. Muito provavelmente é mesmo um problema: esconde e disfarça o que deveria ser analisado e discutido... ou mais prosaicamente: o Porto não tem a equipa de futebol que julga ter.

 

No próximo dia 21 o Porto deslocar-se-á ao Estoril para disputar os segundos quarenta e cinco minutos da partida interrompida há cerca de um mês. Nas presentes circunstâncias, o jogo adquire importância decisiva para os portistas. Ambas as equipas beneficiam da interrupção anterior, partindo como se de um novo jogo se tratasse. A remontada do Porto precisará do medo estorilista pela hipotética derrota. A haver uma atitude personalizada dos canarinhos, dificilmente os nortenhos vencerão o jogo. O vento será um factor a levar em conta, pois, creio, que o Estoril o terá a seu favor...  caso o mesmo se faça sentir e seja relevante.

Pela Rua do Viveiro acima, certamente, muitas bandeiras benfiquistas e sportinguistas esvoejarão. Algumas reais, outras, tão-só, pendentes nos corações.

 

OS JOGADORES

 

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Casillas

Constituíu a surpresa da tarde. Representa claramente um castigo para Sá. Conceição arrisca a coerência; corrigirá um erro que cometeu -- se bem me lembro -- em Outubro passado.

E agora, Marceneiro: quem vais pôr a jogar em Anfield Road? Apostaria que será Sá. O treinador não pode arriscar o caos, que sucederia se Casillas fosse titular e tivesse uma má noite.

CAMPEONATO NACIONAL 2017 / 2018 - VIGÉSIMA TERCEIRA JORNADA

OS GRANDES

 

Primeira Parte

Mercê da jornada europeia, a tríade de (supostos) grandes do futebol português vai exibir-se em três longos dias, o que obriga o escriba a subdividir a crónica da vigésima terceira jornada. Vamos por partes.

 

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O Benfica venceu (4-0) sem dificuldades o Boavista, única equipa com quem, até agora, perdeu no campeonato nacional. Dizer que os encarnados estiveram sempre por cima no jogo, seria falsear a realidade, pois os nortenhos tiveram agradáveis 15 minutos logo no início da segunda parte, sem, contudo, porem em causa a vitória dos opositores.

Os encarnados atravessam um momento de grande crença. Sentem que se aproximam da frente com segurança, algo que as próximas jornadas certamente confirmarão. Os jogadores, mesmo os menos dotados, aparecem a fazer o que não se lhes vira antes: mérito das vitórias ou da capacidade física, que, aparentemente, parece ser bem melhor do que a dos concorrentes, sendo preciso não esquecer que, arrumado o caso Liverpool, o Porto disputará até final apenas um jogo a mais do que o Benfica (uma hipotética ida portista à final da Taça de Portugal não influenciará o campeonato, posto disputar-se para além do término deste).

 

OS JOGADORES

 

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Jonas

Era mesmo necessário expor fisicamente o atleta numa partida com este grau de dificuldade?

 

 

 

 

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Yusupha

O gambiense é algo desconcertante e imprevisível a jogar. Os 24 anos que possui podem atraiçoar-lhe a possibilidade de lograr maiores voos. Espero estar errado.

 

 

 

 

DIVERSOS

 

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Gennaro Gattuso

Declarações curiosas do treinador do Milan, sobre o jovem Patrick Cutrone: 

Estamos a ser brandos com o Cutrone. Ele não se pode distrair pelo facto de ser o mais jovem jogador da história do Milan a marcar tantos golos. Tem de trabalhar e descansar. Espero que encontre uma linda namorada para fazer amor e descansar.

Sem comentários.

 

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Hannah Mouncey

A transexual, 28 anos, foi autorizada, à segunda tentativa, a competir na segunda divisão feminina do futebol australiano
Com processo de mudança de sexo iniciado em 2015, Hannah Mouncey, com porte físico invejável (1,90 metros e 100 quilos) jogou no passado pela seleção australiana masculina de andebol.

Estamos mesmo certos de que este é o melhor caminho?

 

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Manuel Cajuda

De regresso ao futebol português, o algarvio deu uma deliciosa entrevista à comunicação social. Recordem-se algumas das suas afirmações:

Parece haver tendência de muitos treinadores para se referirem ao futebol como se estivessem a falar de mecânica quântica ou de astrofísica, esquecendo-se que, salvaguardando os conhecimentos da profissão, o jogo é simples de compreender, daí a popularidade.

Agora toda a gente enche a boca com o ganhar, o formatar o processo defensivo, as transições… Aborrece-me quando utilizado para se fazer crer que se usa fraseologia moderna. Vejo comentadores de televisão encherem a boca com ‘o jogo interior’, expressão da moda. Há 40 anos já o meu pai dizia que uma equipa afunilava o jogo, que é a mesma coisa e eu prefiro.

À atenção do Freitas Lobo, um "afunilado táctico".

 

Não perca o 10º e último episódio da blognovela:

"DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME TIRA".

ASSEMBLEIA GERAL DO SPORTING - BLOGNOVELA EP. 9

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BLOGNOVELA 

DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME TIRA

 

 EPISÓDIO 9 -- "CONTRA TUDO E CONTRA TODOS"

 

 -- Já temos lema para a campanha, Tí Arnesto -- lembrava Mali-Maqui, sorriso amplo, ao entrar, na sexta-feira 16, véspera da "mãe de todas as eleições", na sede da J.L. Jovens da Lapa:

Contra Tudo e Contra Todos

-- Não me venhas com falinhas mansas, Mali, bem sabes que não voto no Baldrocas.E também não gosto do brocardo. E que tal se o mudássemos e passasse a "Por tudo o que somos; pelo desporto que todos adoramos". Que achas?

-- Está-me quase a levar às lágrimas, Ti Arnesto. Ao ouvi-lo falar, imaginei-me na capela quintina a ver os anjinhos papudos no tecto.

-- Sistina, Mali. A capela chama-se Sistina!

-- Eu disso só m' alembro do que me contaram. Quando a lagartagem foi lá jogar, a malta, em vez de ir ver essa coisa da padrelhada,entreteve-se a comer umas italianas junto à fonte Trevo ou Trevi, sei lá...

-- Escuta-me: porque raio te colas tanto ao presidente? Lideras uma claque. Quanto mais independente do poder directivo ela se posicionar, maior a dose de autonomia e importância no seio da própria agremiação, e, por consequência, o da tua própria pessoa.

- Troque lá isso por miúdos, Ti Arnesto, que não o entendo -- pedia Mali-Maqui.

-- Que corres riscos de ir atrás de quem não merece tamanha devoção.

-- Entendi. O Fanã já me tinha alertado para isso.

-- Porque é teu amigo. Imagina que, pessoalmente, até nem concordavas com certas coisas. Por exemplo, tu que vives às custas dos teus pais, que gastas o pouco que tens para acompanhar o clube do teu coração, saberes que...

o presidente tem previsto receber prémios equivalentes aos dos jogadores de sueca, sendo que os bónus dependem das conquistas da equipa de que o título de campeão nacional será o mais significativo. Para além do salário fixo de 10500 mocas, Baldrocas recebeu na época passada cerca de 35751mocas e mais uns pozinhos  em variáveis, valor que também foi recebido por outros membros da direcção da Sociedade em Comandita Portuguesa.

... Não será pouco abonatório para um clube centenário como  o nosso estar exposto a notícias que afirmam...

A Comissão de Controlo, Ética e Disciplina da UECA advertiu o presidente  por críticas aos árbitros dos jogos frente ao F.C. S. Bento e Centro Cultural da Madragoa, da fase de grupos da Liga dos Campeões Europeus de sueca. Depois da abertura de um inquérito, o órgão disciplinar da UECA considerou que Baldrocas Mete-Medo infringiu o artigo 11 do Regulamento da Disciplina pelos comentários que publicou nas redes sociais sobre a atuação dos árbitros que dirigiram os referidos jogos. A UECA aproveita esta oportunidade para repetir que o respeito é um princípio fundamental da sueca incluindo o respeito pelo jogo, pela sua integridade, diversidade, dignidade, saúde dos jogadores, regras, árbitro, adversário e adeptos.

Mali-Maqui tinha resposta pronta:

-- Mas ele logo veio justificar-se:

Em causa, comentários de pura ironia na minha página pessoal sobre as arbitragens do jogo contra o F.C. S. Bento e Centro Cultural da Madragoa.

-- E nao vês que isso revela enorme imaturidade, falta de respeito, infantilidade de quem esconde a mão depois de atirar a pedra? Frases patéticas como...

Foi o último jogo que fiz como presidente, e isso custa-me bastante. Está em causa uma questão de gratidão...

... Não as achas pungentes, resultantes da falsificação da dor, da comoção, do martírio, do sofrimento?

-- Essas fizeram-me rir, Ti Arnesto. Até tenho pena de não saber palavras bonitas como as suas.

-- Mas eu ajudo: escatolologia ( esta é das boas), Jesus a pregar convencido do fim próximo do mundo. Eis o Baldrocas que tanto veneras.

Mali-Maqui sentia que o tapete lhe fugia debaixo dos pés. Recorreu às profundezas da alma:

-- Mesmo que concordasse consigo, não fazia nada -- logo atalhou o líder da J.L.

Porém, o ancião, tinha-o bem fisgado:

-- E porquê? -- perguntou.

-- Ora, porque o Baldrocas "é dos nossos".

-- Mas "os nosos" não são os que defendem os nossos valores, aquilo em que individualmente acreditamos?

-- E é, o gajo tirou-nos da falência...

-- Tens a certeza? Sabes que quando tu deves um tostão ao banco, tu tens um problema; quando deves um milhão, o banco tem um problema?

Estás seguro que a actuação do Baldrocas não se limitou a renegociar a dívida, cingindo-se, em alguns casos, a simplesmente trocar de credores?

E quanto às VMOC? Em que condições foram negociadas?

-- Por amor de Deus, Ti Arnesto: VMOC?! Eu sou mais V'meca. Conheço-lhe os percursos todos a partir de Carnaxide...

-- Pois é... Crês ser impossível que um dia destes chegue aqui à Lapa alguém a dizer "Isto agora é meu!"?

-- Essa, nunca! Contra Tudo e Contra Todos.

 

Não perca amanhã o 10º e último episódio da blognovela:

"DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME TIRA".

LIGA DOS CAMPEÕES - OITAVOS DE FINAL

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PORTO EDITORA

 

Cinco, numeral  e adjectivo, número formado de quatro unidades mais uma; subs. masc. o algarismo 5; carta ou lado de um dado que vale 5.

Latim. quinque.

cinco-mandamentos, s.m. pl. os dedos da mão.

cinco-em-ramo, s.m. planta prostrada da fam. das Rosáceas, espontânea em Portugal, também designada potentila.

cinco-réis, s.m. antiga moeda; fig. coisa sem importância; _ de gente: indivíduo sem importância, criançola, fedelho.

Una manita!

 

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O Porto perdeu em casa pelo humilhante resultado de 0-5.

Abalrroado, Esmagado, Vexado, são adjectivos que pecam por defeito.

O Liverpool deu um tratado de futebol aos nortenhos: velocidade, antecipação, agressividade, primeiro toque, mobilidade, crença na superioridade. 

Tirem-me deste filme, gritaram Sá, Pereira, Reyes, Marcano, Telles, Herrera, Oliveira, Octávio, Brahimi, Soares, Marega, Corona, Paciência, Waris.

Pela surra, no banco, riam-se Casillas, Maxi e Óliver.

Mais ao lado, Osório questionava-se:  Como é que eu me meti nisto?

Na bancada, Felipe, André, Danilo, Paulinho, Aboubakar e Hernâni suspiravam: Olha do que nós nos livrámos!

Mais ao lado, o Marceneiro gritava sem cessar:

Este resultado não belisca nada do que temos feito.

Não?! Então? Dá prestígio?

 

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Sérgio Conceição falou em explorar os pontos fracos do Liverpool. Infelizmente para todos nós, leigos que nada percebemos de futebol, esqueceu-se de explicar que o adversário não tem, como é usual nas equipas portuguesas e na ideologia "pseudo-centífica" dos nossos treinadores, um médio-defensivo ou mesmo um distribuidor de jogo. Que digo eu? Blasfémia, certamente, pois não é assim que se diz. Perguntem ao Freitas Lobo, ao Vilar, ao Prata, ao Daniel e aos que sabendo de futebol se deixaram enrolar pela semântica dos referidos ilusionistas. Qual médio-defensivo? Seis, assim é que se diz! Qual distribuidor de jogo? Dez é que é! E quanto ao 8? Pobre escriba, que lhe chamas médio-ofensivo. Demodé é o que tu estás.

 

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O meio campo inglês dá lições aos nossos comentadores: cada um tem o seu espaço; cada um ataca e defende sempre que os lances versam a sua área de actuação. Pois é... lá se vai a teoria dos triângulos equiláteros, isósceles e escalenos, e até, pasme-se, dos losangos de pontas iguais e desiguais. Antipático, o escriba.

No ataque do Liverpool não há pinheiros nem arbustos. Todos semeiam, isto é, todos se dão ao jogo; todos colhem, isto é, todos marcam. Difícil de entender, não é? Melhor fariam os comentadores televisivos se rasgassem teorias copiadas e debitadas á pressa, copy-paste de dados estatísticos que a ninguém interessam, e abrissem os olhos para o que é um jogo de futebol. Os espectadores agradeciam que em vez de lhes falarem de tácticas e sistemas, os auxiliassem a entender o que estão a ver. Se não sabem, calem-se e vão plantar batatas, que a época está aí à porta. À atenção da RTP, SIC, TVI, ABOLA, CM-TV, canais privados dos clubes e quejandos.

 

Falei atrás de velocidade de execução, mobilidade, primeiro toque, concentração, ritmo de jogo... tudo o que está arredio do futebol indígena, onde o toque para o lado e para trás é comparado a pincelada de genialidade (veja-se o caso de William). Devagar... devagarinho... critério: os gajos estão todos fechados em frente à baliza, não é preciso irmos por aí fora a correr, ainda corremos riscos de tropeçar.

 

Que fazer para mudar o circulo infernal do futebol português, sabido e comprovado que os nossos grandes são como a Justiça: fortes com os fracos; fracos com os fortes?

Se uma liga europeia vinha mesmo a calhar, há que atentar nos velhos do Restelo; onde metíamos os nossos fidalgos arruinados? Na Liga A, ou na segunda divisão, que era o mais lógico? Aqui-d'el-rei... Abjuremos... abjuremos. Chame-se a Inquisição.

A alternativa seria o crescimento dos mais pequenos, a melhoria da capacidade competitiva dos Tondela, Setúbal, Aves ou Estoril? Como?! Emprestando jogadores?! Contratando individualmente as imagens de televisão?! Assim, não vamos lá! Continuemos, pois, agarrados ao fanatismo dos adeptos dos grandes que, com VAR ou sem VAR, leal ou deslealmente, o que querem é a vitória do seu clube.

 

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SÉRGIO CONCEIÇÃO

E eis que, quando nada o fazia prever, Conceição tem o lugar de treinador em causa. Cinco secos é demais, mesmo para o Pintinho.

Bem sei que o campeonato é o objectivo máximo. Porém, também sei que tal se deve à travessia do deserto que se arrasta há quatro anos. Não fora assim, e a hipotética vitória intra-muros não passaria dos minimos exigidos. O Porto, tanto quanto o Benfica, projecta-se com vitórias internacionais, não com o campeonato indígena.

O treinador portista pode dizer o que muto bem lhe apetecer para justificar o enorme atraso com que chegou à conferência de imprensa. Para mim, é simples: falta de educação e de respeito pelos jornalistas, pelo público, pelos adeptos do seu próprio clube. Quantos repórteres ingleses estavam na sala às 22H50? É esta a imagem qe queremos transmitir do futebol português?

Como se não chegasse a grosseria, o Marceneiro respondeu a três/quatro questões, ameaçou o Rio Ave com a remontada, relembrou -- para os que chocados ainda estivessem -- a existência do campeonato e da Taça enquanto objectivos a perseguir. Desculpas de mau pagador.

 

DIVERSOS

1) Fora o árbitro português, e o monte de críticas portistas faria soçobrar a Torre dos Clérigos.

2) Como se deve jogar contra o Liverpool? Pergunta mistério que ninguém parece saber responder. E pior: como enfrentar a segunda-mão? Vá, lá, Klopp, dá um jeitinho, joga com os Escolinhas.

3) Ausência de Danilo, escape portista. O médio não jogou, já este ano, com o Besiktas em casa e Leipzig fora? É que em ambas as ocasiões, o Porto levou três.

4) As prestações das equipas portuguesas nas competições europeias mostram o óbvio: não temos vida para isto. 

5) Pobres tripeiras, esposas/namoradas  dos fanáticos adeptos portistas. Lá se foi o romantismo do S. Valentim.

 

COMENTADORES

Não, não vou elencar a quantidade de disparates com que Lobo e Prata nos presentearam ontem. Rest in Peace.

Vamos aos meus alvos de hoje:

 

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Miguel Sousa Tavares

Uma coisa, pelo menos, eu não temo logo à noite: não iremos enxovalhar o clube; tenho a certeza que não vou passar pela vergonha que passou o Benfica em Basileia.

 

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Manuel Serrão

Houve «excesso de ambição» de Sérgio Conceição, o qual não quis mexer «no ADN» do dragão no duelo com a equipa inglesa (...) José Sá teve uma falha, mas se não fosse esse entravam outros (...) Brahimi não fez uma grande noite, mas não era ele sozinho que ia ganhar ao Liverpool (...) Se o Rio Ave vier jogar de igual para igual como nós fizemos contra o Liverpool, espero um resultado semelhante.

 

Porque no te callas?

É uma falta de educação interrompê-los, mas é uma falta de dó deixá-los falar!

ASSEMBLEIA GERAL DO SPORTING - BLOGNOVELA EP. 8

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Cenas do últmo episódio:

-- E se a gente virasse o bico ao prego e deixasse o Baldrocas e a Tornadelas a falarem sozinhos?

 

 Episódio 8 

 Mali-Maqui não levou a sério o vice, Fanã.

-- Piraste da carola, meu! Tu já imaginaste a revolução que iria por aí se o Baldrocas saísse.

-- Que revolução? Quando o Gordinho saiu, nada de mais sucedeu.

O líder da J.L.- Jovens da Lapa, Sociedade em Comandita Portuguesa, entendeu dever ser mais claro: 

-- Mas é que o Baldrocas reuniu um aparelho à sua volta: "Quem não é por mim, é contra mim", recordas-te de o ouvir dizer? Imagina só o Nelito Ensarilhado -- certamente te lembras dele, a amandar-se para o chão, a fingir que o Bento lhe tinha dado com o valete de paus. -- Primeiro, foi de frosque por ser o pior funcionário do mundo; depois, chorou baba e ranho de todo o tamanho para ser perdoado; mais tarde, suplicou que corressem com o Bella-Muerte e dessem  ao filho o lugar de treinador de canasta das viúvas da Lapa. Pelo meio, consegue ser a maior azémola entre os comentadores de sueca.

-- Pior que o Lobo Mau?

-- Pior. Mas tenho-te a dizer que, cum'ó Nelito, há muitos. Se não se põem a pau, vai tudo de cana. Até o Murta Só-Ares  vai ter de voltar a pegar na mangueira de bombeiro. Agora a sério. O  Nelito Ensarilhado faz-me lembrar as empresas têxteis dos galegos da margem direita do Douro: quando o marido perde o emprego, logo vão de vela também a mulher e a filha.

-- É bem feito; chulos... Mas olha que até o teu cargo poderá ficar em risco -- insinuou o Fanã.

-- O que não tinha graça nenhuma. Partia os cornos ao primeiro que por aí viesse pra me pôr na rua.

-- Parvoíce, meu. O novo visconde, elevado a presidente, nem te deixaria aproximar da Lapa. Metia a bófia pelo meio, e nem da Musga tinhas ordeca de sair. Tu e eu, seja dito.

 -- Tens razão, Contudo, era giro ver o Baldrocas e a Tornadelas na fila da Segurança Social a pedirem o subsídio de desemprego.

-- Ainda mais giro era ver a Inês Docatano voltar à sede da J.L., tabuleiro na mão, a vender amendoins e pevides durante o campeonato de sueca.

-- Não te iludas: essa não volta. Imagina que o Baldrocas a "fazia", e convertia-a em espia duma nova direcção liderada pelos viscondes.

-- Já percebi: dava uma ganda cana. Os gajos são nobres, mas não obrigatoriamente parvos de todo.

Subitamente, Mali-Maqui interrompeu a conversa:

-- Já viste quem vem ali? A Guiducha.

-- E traz quatro caramelos com ela. Conhece-os, Mali?

-- Só de vista. Costumam aparecer por aí quando há sandes de leitão.

-- E olha, olha. Com eles, vem também o Nuno Trevas da TV-Lapa

Porém,  o Fanã não estava a gostar da novidade:

-- Já me estão a fod.. a bola. O jogo é às seis, e os pintas almoçaram refastelados e chegam à taberna às três da tade. E  eu aqui, sem uma bifana que seja no bucho...

Mali-Maqui e Fanã sabiam que não podiam largar a porta, não viesse o Timber Rói-Tigres ou outro "dar um incé de porrada" ao Baldrocas. Enervados, viram as horas passarem, e só aliviaram quando, perto das cinco, a Guiducha e mais dois dos lapaziados apareceram  à porta do tasco.

-- Uma tristeza -- assim se referiu aos sucessos da reunião a Guiducha, armada em chefe-de-fila dos companheiros, quando o Nuno Trevas lhe perguntou se o dia estava bonito.

Um pouco mais tarde apareceu o presidente Baldrocas. O repórter de serviço acorreu de imediato a garantir a exclusividade dos comentários para a TV-Lapa:

 -- Como se sente face à ausência duma manifestação, concertada que fosse, em apoio ao presidente? -- perguntou aquele.

Baldrocas refez o nó da gravata, insistiu no estilo Calimero, e gemeu baixinho:

-- Preciso de militância. Estou a ser maltratado pelo meu clube. Estão quase a matar-me, e, sinceramente, a culpa é dos sportinguistas...

 Todavia, Nuno Trevas, o subserviente do Jajum nas conferências pós-jogos do campeonato, decidira ferrar bem fundo na perna do Baldrocas:

-- E, contudo, se sair, fá-lo-á sem alcançar o seu maior sonho: ser campeão...

-- Está em cima a possibilidade de sair sem ser campeão, mas já fui campeão em várias outras modalidades.

 -- Ora. porra: da carica, do berlinde e da escarreta, até eu sou o maior -- acrescentou de imediato o Trevas.

Baldrocas fingiu que não entendeu a indirecta, e, ao seu estilo, continuou:

-- Lamento que só 5 de 46 sportingados tenham aceitado o convite...  Três das quais vieram para fazer discursos bonitos para a televisão... Quando foi para discutir os estatutos foram-se embora...

-- Está quase a começar o jogo. Diz-me o meu colega pelo intercomunicador que as equipas já estão a aquecer -- recordava Trevas, o repórter da TV- Lapa.

-- Gostava que terminasse também o rótulo que eu não aceito críticas. Naquelas pessoas não é uma questão de críticas, é de difamações e injúrias. Eles esmiuçam se levo ou não o casaco, eles esmiuçam tudo. Fiz a lista com toda a boa intenção.

E Nuno Trevas, bem ao seu  modo,  logo encerrou a reportagem:

-- Melhor seria que, em vez de casaco, o presidente Baldrocas levasse uma gabardina... É que quem anda à chuva, molha-se.

 

Não perca amanhã o episódio 9 da blognovela:

"DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME TIRA".

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