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Do Futebol

Blog de análise ao futebol: sério, irónico, crítico, construtivo, mas também intolerante para quem não tem princípios nem entende que a vida está muito para além dum pontapé numa bola.

Do Futebol

Blog de análise ao futebol: sério, irónico, crítico, construtivo, mas também intolerante para quem não tem princípios nem entende que a vida está muito para além dum pontapé numa bola.

LIGA DOS CAMPEÕES - SEGUNDA JORNADA

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O Porto ganhou de forma irrepreensível no Mónaco por 3-0. Fez uma exibição personalizada, impôs a classe dos seus jogadores e um ritmo de jogo oscilante que o adversário não entendeu. Mercê da venda dos seus melhores atletas por troca a jovens promessas oriundos de África e América Latina, o clube do principado baixou claramente o nível competitivo em relação ao ano transacto. Os monegascos parecem ter redescoberto a "fórmula Ajax", da qual também o Benfica tem sido fiel seguidor. 

 

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Falcão mostrou-se esforçado, esgotando-se no colombiano a capacidade atacante da equipa. Moutinho quer comandar o jogo da equipa, vai buscar bolas aos pés dos centrais para as ir colocar a meio metro dos laterais... E tudo lento, lento, lento: exasperante. Entre os atletas mais novos, alguns pareceram-me interessantes. O cerne da questão reside em que por cada lance bem definido, cometem dois ou três disparates logo após. Custos da juventude.

 

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Nos portugueses, gostei sobretudo da equipa, contudo, destaque-se pela positiva Felipe, Marega, Aboubakar e Brahimi. Não havendo exibições negativas, penso que Alex Teles precisa de ganhar maturidade na relação com os árbitros. Em Danilo começam a ser preocupantes as simulações por supostas faltas perigosas que a repetição televisiva logo desmascara. Rebola-se, grita supostamente de dor, esmurra a relva... até o árbitro mostrar o amarelo ao adversário. De seguida desata a correr como se nada se houvesse passado. Posto ser o portista ainda um jovem, seria bom corrigir a falta de respeito pelos adversários / colegas de profissão.

 

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Sérgio Conceição

Apesar do descalabro fente ao Besiktas, o treinador portista atravessa momento de euforia: no campo, tudo -- ou quase tudo -- lhe sai bem; nos discursos, procura mostrar-se elevado. Contudo, de tanto forçar a nota, baralha-se. Olhemos algumas das suas frases de ontem:

"Obviamente que não vou para dentro do campo, mas a estratégia é preparada por mim..."

Presunção dispensável (e algo ridícula) caro Marceneiro. Todos sabem quem prepara os jogos numa equipa de futebol. Deixa os atletas receberem os aplausos, o momento é deles. Os encómios lá te chegarão.

(...) por isso assumo sempre a responsabilidade nas derrotas".

Frase sem sentido repetida vezes sem conta pelos treinadores. Melhor fora que não assumissem a responsabilidade pelos fracassos... Perdão: com Jorge jesus a culpa é sempre dos jogadores.

Caros treinadores: parem de falar em responsabilidades, a menos que, na situação específica, o Marceneiro nos informe que reembolsou o clube pelo milhão e meio de euros que perdeu na primeira jornada. Escuta, Sérgio: és novo, traz um discurso também ele novo... se te for possível. Se o não fizeres, serás tragado na voracidade dos resultados.

"Hoje fomos um pouco mais expectantes no início de construção do Mónaco".

Em que parte do jogo tal sucedeu? Estavam com medo de quem? Do Moutinho?

 

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A partida de Basileia, onde o Benfica foi humilhado, requer um comentário prévio. Queira-se ou não, tratou-se de um mero jogo de futebol: a honra do país não foi manchada; nenhum terramoto abalou o espaço nacional; Portugal não entrou na bancarrota; ninguém morreu -- suponho -- por causa do resultado de ontem. Repito: foi um simples jogo de futebol, nada mais.

Analisemos então o que se passou.

Basileia foi o grito de alerta, sirene de perigo iminente lançado à nação benfiquista. Os encarnados, muito provavelmente, despediram-se da Europa por este ano, e, certamente, da Liga dos Campeões por um par deles... pelo menos, pois o campeonato, não parecendo, está perdido, e até o segundo lugar comprometido. Culpabilizar os jogadores é o mais fácil: por mim, recuso-me a fazê-lo, não porque retire as críticas que aos mesmos venho fazendo desde que iniciei este blog (ao contrário de muitos comentadores encartados pelas televisões que tanto endeusaram e agora vêm a correr criticar os atletas), antes porque me parece que o culpado número um é o presidente do Benfica. É sobre ele que devem recair as críticas dos aficcionados encarnados Curiosamente, até estaria de acordo com a política seguida, se Vieira tivesse o rasgo de coragem em advertir os sócios e apoiantes que, face à importância estrutural de reduzir o passivo, teriam de suportar um lustro (ou mais) sem conquistas significativas no futebol. O problema é que Vieira está a transformar-se num "dinossauro"; sabe que não o poderá fazer se quiser manter-se no cargo. Pelo meio, vai confiando na tão propagada estrutura, que, diga-se de passagem, acaba posta em causa, mais do que ninguém, pela sua própria pessoa. Em Vieira, começa a notar-se o principio da incompetência de Laurence J. Peter: "Num sistema hierárquico, todo funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência". Garanto-vos que a nenhum benfiquista custará mais do que a mim haver chegado a tal conclusão, todavia, é exactamente pelo amor ao Benfica que deveremos ser capazes de nos questionarmos acerca do rumo do clube/SAD. Apelarmos, berrarmos pela união, só nos vai atrasar no processo de compreendermos onde estamos e para onde queremos ir... Racionalmente, sem emoções nem pressões de "gorilas" ou imberbes (No Names ou quejandos a irem ao Seixal "exigir" justificações) aos gritos. Foi assim que o Homem pôde abandonar as cavernas.

 

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Do jogo direi que toda a equipa esteve mal, desde o colectivo até aos erros individuais, porém, tal é irrelevante agora. Como resolver tão agudo problema? É preciso dar um safanão, oiço dizer entre os comentadores. Qual safanão? O presidente demitir-se? Impossível. Rui Vitória demitir-se? Pouco provável. A equipa praticar bom futebol? Não vejo como. Contratar novos jogadores? Só se estiverem desempregados. Aparecerem novas caras na equipa? Com Vitória ???... A conclusão é simples: a época, do ponto de vista futebolístico, está perdida. Vieira que venha explicar o que pensa fazer... sem subterfúgios nem acusações parolas; de preferência como um pai falaria com os filhos adultos.

 

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Rui Vitória

Deixou que o empurrassem para ser parte do problema. Defeitos próprios afastam-no do leque de soluções. Rui será, muito provavelmente, um ser humano extraordinário, contudo, incapaz de navegar em águas revoltas. Prefere o mar chão; fala de união e de solidariedade da mesma forma que respira, isto é, com autenticidade. Por muito que me custe, votaria no seu afastamento, porque, como ele diz noutro contexto: " Por vezes, há que pôr uma pedra no lugar do coração" (Notável, pelo humanismo demonstrado, o artigo na Bola online "Rui Vitória conta história com mais de 13 anos a propósito de guarda-redes").

Note-se que não creio em milagres. Nenhum treinador porá futebolistas banais a jogarem futebol de topo. É, talvez, a lei da vida, que nos faz acreditar que há sempre uma esperança.

 

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O Sporting perdeu com o Barcelona, da mesma forma que o havia feito por quatro vezes, com Real Madrid e Dortmund, no ano transacto, isto é, com vitória moral. Não vi o jogo, antes os vários resumos elaborados pelas realizações das várias operadoras de televisão. Admito que possa estar errado, contudo, pelo que observei, se o Sporting poderia ter marcado algum golo, o Barcelona justificaria três ou quatro. Compreendo que era o colosso catalão quem a Alvalade se deslocou, porém, se asumirmos previamente a "derrota honrosa", melhor faríamos em não competir.

Não gostei que os comentadores culpassem Coates (também fui central, sei o que custa um auto-golo): a bola apareceu-lhe de repente no peito e... é o preço de estar em campo.

 

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Jorge Jesus

O homem trata os jornalistas como se fossem atrasados mentais, embora se possa dizer que também estes se põem a jeito, tal a subserviência que demonstram durante as conferências de imprensa. O treinador dos leões, ar de professor, debitou umas quantas banalidades tácticas que qualquer estudante da disciplina de futebol aprende no primeiro semestre da faculdade, ante profissionais de informação acéfalos que parecem babados a ouvir um líder de uma qualquer seita religiosa: Jorge para aqui... Jorge para ali... E, em resposta, tu jogas... tu ganhas... tu pensas na táctica... tu... tu... tu...

Patético.

  

CURIOSIDADES... OU TALVEZ NÃO.

 

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Timo Werner, avançado do Leipzig, pediu para sair à meia-hora do jogo em casa do Besiktas. Afirmou, posteriormente, ser incapaz de se concentrar na partida, posto o barulho ensurdecedor dos adepos turcos. E, na verdade, nem com tampões nos ouvidos aceitou continuar em campo. 

Problema de audição ou de mentalidade competitiva?

 

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Mauricio Pochettino, treinador do Tottenham, disse estar «apaixonado» por Harry Kane, avançado que marcou três golos diante do Apoel. Insatisfeito ou duvidoso de que as suas palavras fossem correctamente entendidas, reafirmou: "A minha mulher e a dele até já têm ciúmes de nós".

Mauricinho, Mauricinho... vê lá no que te metes.

CAMPEONATO NACIONAL 2017 / 2018 - SÉTIMA JORNADA

OS GRANDES

 

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O Porto enfrentou o clássico jogo do grande contra o pequeno em casa. Ganhou, naturalmente, por 5-2, sendo que a surpresa são os golos sofridos -- e os que ia sofrendo --, fruto do futebol romântico do Portimonense: para o bem e para o mal.

 

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O Sporting empatou fora com o Moreirense. Jogou mal, jogou pouco, e, porventura, terá alcançado um resultado lisonjeiro.

 

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O Benfica beneficiou da apatia do Paços de Ferreira. A equipa nortenha nunca pareceu querer discutir o jogo, e, quando assim é, merece perder. Dizer que os encarnados fizeram uma boa partida é perigoso, e muito mais estranho me parece que haja motivos para se afirmar que está esconjurada a crise, a fase, o momento ou lá o que Rui Vitória lhe queira chamar. Por mim, trata-se de semântica a servir de peneira. Nem antes estava tudo mal, nem agora está tudo bem. A qualidade do grupo mede-se na Champions e, internamente, com Sporting e Porto. Mal irá a suposta equipa grande, cujos padrões de exigência passem por jogos como este contra o Paços de Ferreira.

 

OS JOGADORES

 

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Gelson Martins

Sem deixar de mostrar pormenores aqui e ali da classe que se lhe reconhece, o sportinguista tem rubricado exibições aquém da performance do ano transacto. Será bom que o tenhamos de volta rapidamente, pois, palpita-me, que muito necessário vai ser a Portugal no Mundial de 2018.

 

 

 

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Bruno César

É um manhoso, algo que encanta o seu e a muitos outros treinadores. Por mim, dispenso.

 

 

 

 

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Seferovic

Começa a deixar que se adensem dúvidas quanto ao seu real valor, situação a fazer lembrar os primeiros tempos de Montero em Alvalade. O futebol do benfiquista requer um modelo de jogo no qual o treinador não aposta. O suiço é rápido a desmarcar-se e tem pontapé fácil; em oposição, falta-lhe técnica e jogo de cabeça. Penso que teria a beneficiar de um futebol mais directo da equipa, e, sobretudo, de um médio distribuidor que lhe colocasse a bola na frente. Nem uma coisa nem outra se praticam ou executam para os lados da Luz, e, por tal, Seferovic passa o tempo a ser apanhado em fora-de-jogo. Pergunto-me porque terá contratado o Benfica um atleta com características tão opostas ao modelo futebolístico pretendido pelo seu técnico. Curiosamente, creio que poderá ser nos jogos com os grandes que obterei a resposta.

 

OS TREINADORES

 

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Manuel Machado

Esteve assertivo pela positiva na análise do jogo. Pena que se tenha esquecido de questionar uma falta cometida pela sua equipa bem perto do final.

 

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Jorge Jesus

1) "Alguns jogadores não estiveram ao seu nível".

A que nível esteve o treinador?

2) Jesus usa repetidamente um tutear para com os jornalista de tal forma despropositado que irrita quem o ouve.  Alterar a pessoa numa frase, demonstra a incapacidade de ter um discurso escorreito. Bem sei que o homem não sabe falar português, contudo, face ao que ganha, já teria obrigação de haver contratado um professor que lho ensinasse. 

 

A ARBITRAGEM

 

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Luís Godinho

Esteve particularmente desastrado, prejudicando o Moreirense a todos os níveis. Se a falta sobre Doumbia existiu de facto, foi só mais um erro, no caso contra os leões.

 

DIVERSOS

 

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Cristiano Ronaldo

Face ao que acima deixei escrito acerca de jorge Jesus, permita-se-me recordar o depoimento do português em tribunal, acerca do processo em que está envolvido, algo que, pelas razões que expliquei, não pude fazer em devido tempo.

"Só tenho a escolaridade obrigatória", terá dito Ronaldo, sem que, a avaliar pelo que li, tenha manifestado qualquer pesar por tamanha falta de cultura académica, antes tentando usar tal facto para salientar o fado do menino desgraçadinho. 

Ou me engano muito, ou começa a cristalizar-se a ideia de que ter o ensino básico -- ou nem isso, como suponho ser o caso de Jesus --  possa ser atributo suficiente para vir a ganhar muito dinheiro. Grandes exemplos, os destes senhores. Por este caminho será impossível convencermos os nossos filhos a frequentarem a escola.

CAMPEONATO NACIONAL 2017 / 2018 - SEXTA JORNADA

OS GRANDES

 

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O Benfica perdeu no Bessa por 1-2, nada que não se esperasse face às prestações do grupo nos últimos tempos. A equipa entrou bem, isto é, Jonas entrou bem, distribuiu, serviu, marcou. Os colegas surpreenderam-se com tantas facilidades; o treinador exultou com o inesperado; o Boavista ficou estupefacto: é que aquele Benfica fazia que jogava, mas não jogava. Vamos lá pôr alguma pessão e agressividade nisto, deve ter dito Jorge Simão aos jogadores no início da segunda parte. Logo acabou o Benfica, que tremeu, tremeu, levou o primeiro, e, um pouco mais tarde, o segundo, por obra e graça de um guarda-redes sem qualidade, que, após ter sido mandado embora, foi, por Vieira, repescado à última da hora, em promoção do tipo "Guarda-redes precisa-se". Ao Benfica voltarei mais abaixo.

 

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O jogo do Sporting não teve história, não passou de mais do mesmo na habitual disputa entre grande e pequeno. Para a história fica o resultado que Jesus tanto temia. Falta de confiança, muito provalvelmente.

 

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O Porto venceu em Vila do Conde, campo onde o Benfica empatara ainda há pouco tempo.O domínio dos dragões foi por demais evidente; a vitória nunca esteve em causa. O Rio Ave jogou muito abaixo do que o tem feito, restando a dúvida se o fez por debilidades próprias, se por imposição do adversário.

 

O Momento do Benfica

 

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Tal como aqui previ há mais de um mês, a equipa encarnada afunda-se nas contradições do seu presidente. Se Vieira é o principal responsável pelo descalabro da equipa principal de futebol, também a Rui Vitória se devem assacar culpas pela actual situação, pois nunca se lhe ouviu uma palavra de crítica à falta de qualidade do plantel que tem à disposição. Curiosamente, deixo hoje de fora os atletas que critiquei sempre que achei que o devia fazer. A razão para tal é simples: os jogadores jogam o que podem e sabem e a mais não são obrigados. Filipe Augusto passa para o lado e para trás? Quem o pôs a jogar assim?; Pizzi não "dá uma para a caixa?" Quem se iludiu com os facilitismos dos Tondela, Moreirense, Estoril e quejandos?; Salvio é de uma ineficácia atroz? Quem é o responsável pelo culto de um jogador que perde 99% das bolas que lhe chegam aos pés?; Luisão está velho?  E só agora se aperceberam?; André Almeida não corresponde? Nem no Cascalheira jogaria... E por aí afora.

Racionalmente, dir-se-á que nada está perdido para os lados da Luz; que cinco pontos à sexta jornada não representam nada. Talvez, embora tenhamos memória de um campeão somente com dois empates, logo quatro pontos. Acreditam os benfiquistas que tal não sucederá este ano. O problema encarnado não serão, muito provavelmente, os pontos de atraso com que se apresentará no dealbar da sétima jornada: a questão prende-se com os pontos que, imaginamos, a equipa virá ainda a perder. Em Portugal o campeonato é tão falho de competitividade, que não há crise que não se possa desmentir no próximo jogo em casa, e isso é mau, péssimo mesmo, para se fazer uma análise desapaixonada da capacidade da equipa. Em tempos passados (leia-se no período Jesus), Vieira investia desalmadamente, concedendo ao treinador atletas que nem nos melhores sonhos dos adeptos envergariam a camisola do glorioso. Com a chegada de Vitória inverteu-se o paradigma: a Academia passaria, supostamente, a fornecer os talentos que levariam o Benfica, ano após ano, a ser campeão... ininterruptamente, que por menos não fazem os fanáticos adeptos de qualquer clube. Nada de mais errado. Acontece que os "miúdos" são como os melões: só depois de abertos se percebe da sua qualidade. Por outro lado, Vieira, qual agiota, mal vê luzir um par de botas de futebol a chutar uma bola, vende-as de imediato. 

E agora, Benfica? Vitória fala da mentalidade tetra, do passado, do trabalho enquanto fórmulas da recuperação. Discurso correcto, todavia insosso.  A questão põe-se do lado real, ou seja, com os jogadores que compõem este plantel, alguém acredita que o Benfica vai longe? Assumindo que é tarde para ir buscar jogadores de qualidade, capazes de entrarem directamente na equipa, e que do Seixal não virão os salvadores, a esperança assenta no aumento do nível do futebol apresentado pela equipa, o que, em teoria, a levaria a ultrapassar adversários inicialmente inacessíveis. Contudo, os dois anos que o treinador leva já à frente da equipa permitem-nos concluir que Rui Vitória não tem entre as suas virtudes a capacidade de pôr o grupo a jogar bom futebol. Tal jamais aconteceu no passado, salvo em situações perfeitamente excepcionais e muito pontuais. A união, a solidariedade do plantel, que, esses sim, são atributos de Vitória, serão suficientes para levar o Benfica ao penta? Eu diria que não.

 

OS JOGADORES

 

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Vagner e Varela

Estivessem em balizas trocadas, e o Benfica continuaria a sonhar.

LIGA DOS CAMPEÕES - PRIMEIRA JORNADA

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O Porto perdeu surpreendentemente com o Besiktas por 1-3. Os turcos assemelham-se em valor, que não no estilo e forma de encarar o jogo, ao CSKA. Os apaniguados portistas tentaram desequilibrar emocionalmente Pepe e Talisca. A resposta do primeiro ficou aquém do seu nível, muito provavelmente pelas debilidades defensivas da equipa. Quanto ao brasileiro emprestado pelo Benfica, foi só o melhor jogador em campo, marcou um golo, jogou e fez jogar. A exibição de Talisca fica certamente para memória futura à atenção dos encarnados da Luz. Também Quaresma voltou ao Dragão, aplaudido vezes sem conta. Assinalou o passe para o primeiro golo da sua equipa, contudo esteve discreto até ser substituído.

O jogo foi algo estranho, com as duas equipas a esquecerem-se de que também se joga sem bola, tal a desconcentração que alardearam quanto pressionadas. O Porto baralhou-se com o sistema táctico, algo para o qual já aqui alertei em jornadas passadas. Os nortenhos tentaram rectificar a voragem do primeiro tempo, porém André e Octávio são jogadores banais, incapazes de por si sós alterarem o curso de uma partida.

 

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Para além de Talisca, gostei ainda de Tosun e do capitão Osyakup. No Porto, não entendi a razão da saída de Oliver, e não consigo salientar pela positiva qualquer exibição. A defesa nortenha ficou marcada pela incapacidade de parar jogadas simples de um para um, triangulações e remates fora da área (para que serve Danilo, se permite a Tosun marcar aquele golo? Definitivamente, não sou adepto de médios defensivos). Casilhas deu – mais um – monumental “frango”. Está há alguns anos na curva descendente da carreira, e só o futebol indígena lhe permite ir fingindo que tapa o sol com a peneira.

LIGA DOS CAMPEÕES - PRIMEIRA JORNADA

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O Benfica perdeu em casa com uma medíocre equipa russa, o que atesta bem da falta de qualidade do plantel da Luz, com mais ou menos penalty, contra ou a favor.

Os encarnados passaram a primeira parte a jogar para os lados e para trás, dominando as estatísticas, que, no futebol, não contam para nada. O segundo tempo trouxe um pouco de esperança à Luz, nomeadamente quando a equipa decidiu executar rápido o que até aí realizara à velocidade de caracol. Depressa se cansaram os campeões nacionais, e nem o golo alcançado os resgatou da lentidão que contrastava com a ansiedade dos adeptos, que, de tanto incitarem e aplaudirem, parece não verem o óbvio: embora tenha momentos, fogachos que o vento logo leva, a equipa não joga nada. Porventura o resultado não tenha sido justo, porém, quantas vezes as equipas ganham sem o merecerem? 

 

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Gostei de Grimaldo e Zivkovic. Continuo a não compreender o amor paternal de Vitória por Almeida, Luisão, Pizzi e Sálvio, e o sentir padrasto do treinador em relação a Rafa.

Deixei há dias neste espaço a minha convicção de que largas frustrações esperam os benfiquistas na presente época, da mesma forma que, após a final da Supertaça, previ que o clube da Luz nada mais ganharia este ano. É (será) a consequência óbvia de Vieira estar convencido de que a estrutura só por si ganha campeonatos. Ontem tal assumpção levou à perda de qualquer coisa entre o milhão e meio e os dois milhões de euros. Entrementes os fervorosos adeptos benfiquistas continuam a gritar que vão a caminho do penta. Será que o F.C.Porto pensa voltar a estender-lhes a passadeira vermelha? Party is over!

 

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Rui Vitória

Bem sei que ninguém gosta de perder, mas o treinador do Benfica brindou-nos ontem com uma performance pouco habitual. Nervoso em excesso, negou o óbvio e respondeu com agressividade às questões dos néscios Pedro Neves de Sousa e Nuno Luz. Relevo uma passagem do seu discurso:

"Nós contámos com 73 por cento de posse de bola, com 25 remates, 700 e tal passes"

E perdeste???

 

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Não vi o jogo do Sporting, por haver jogado à mesma hora do meu Benfica. Pensei em nada comentar, contudo, porque tal situação se repetirá por mais cinco vezes, não será correcto ostracizar a equipa leonina. Porque não gosto de ver futebol em diferido, captei os lances dos golos e as principais jogadas que as televisões passaram até à exaustão.

O resultado justifica que se concedam os parabéns aos sportinguistas. Sem retirar mérito a uma vitória no plano internacional alcançada fora de casa, fiquei com imensas dúvidas quanto à qualidade da defesa do Olympiacos, que será, muito provavelmente, a "única no mundo" pior do que a do Benfica. Já a repetição do par de golos sofridos levanta a questão da capacidade emocional dos atletas leoninos.

 

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Jorge Jesus

Como sempre, responsabilizou os jogadores pela segunda parte, e sobretudo pelos golos consentidos:

"(...) a equipa confiou demasiado na segunda parte (...) Vamos trabalhar em cima disso", disse.

É melhor despachares-te, pois não te deves recordar do sucedido na sexta-feira passada.

CAMPEONATO NACIONAL 2017 / 2018 - QUINTA JORNADA

Nota Prévia:

Por motivos de saúde, estive ausente e impedido de observar os jogos da quarta jornada, bem como do play-off da Liga dos Campeões e Selecção Nacional. Como não vi e me recuso a fazer eco do que outros dizem, não comento. Adiante.

 

OS GRANDES

 

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O Sporting venceu o Feirense com extrema dificuldade e muita sorte, como resulta óbvio de quem alcança a vitória aos 90+6 minutos de uma partida de futebol. Não estou convencido que o resultado seja justo, pois as equipas equivaleram-se nos momentos mais positivos de cada uma. Surpreendente a forma como os leões vêm ganhando: penaltis nos últimos minutos com Setúbal e Feirense; golo -- ou nem por isso -- anulado ao Estoril também no término da partida. Não discuto se correcta ou incorrectamente julgados os lances que tais decisões promoveram, porém, não vejo razão para tanto embandeirar em arco leonino. Menos alguns segundos de jogo e teriam perdido vários pontos: é que a sorte não está sempre do mesmo lado. 

 

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O Benfica ganhou sem brilho, bafejado pelas novas tecnologias, sem querer com isso dizer que o foi de forma errónea, algo que também já beneficiou os parceiros maiores da competição. Os tetra campeões jogam pouco, e, tal como o Sporting, não convencem ninguém da sua capacidade para almejar objectivos ambiciosos. Preocupante a forma como os encarnados deixaram o Portimonense passear no campo -- com um jogador a menos, imagine-se --, o que reflecte a fragilidade benfiquista.

 

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O Porto continua à espera de um teste à altura. Poderia ter sido o caso do Chaves, mas o resultado final desmente-o. Ficamos à espera de um jogo mais complicado para aquilatar acerca da qualidade global dos dragões.

 

OS OUTROS

Gostei de Feirense, Portimonense e Chaves, todos interessados em produzir um futebol capaz de levar de vencida os grandes num dia especial. Não aconteceu, basicamente porque na hora das decisões os seus jogadores demonstraram muitas deficiências. Penso mesmo que o resultado foi enganador no caso dos dois embates com os grandes lisboetas, e terrívelmente penalizador na situação dos flavienses.

 

ASPECTOS TÉCNICOS

As defesas (processos defensivos) de Sporting e Benfica.

É, normalmente, cómodo para os defesas dos grandes clubes jogarem em casa. Não são colocados sob pressão, evitam facilmente o risco, os adversários menores fecham-se, privilegiam a protecção da sua baliza e, infelizmente para o futebol português, raramente atacam. Daí ao endeusar dos atletas pelos sectários clubistas, vai um passo. As massas de adeptos tendem a adoptar a opinião do grupo (nivelam por baixo), e, como em tudo, quem perde é o processo crítico. Não existe, ponto.

O bloco defensivo do Sporting (a jogar fora, note-se) permitiu uma recuperação impensável. Battaglia viu-se perdido em terrenos que desconhece; Coates atacou melhor do que defendeu; Mathieu, um líder como já escrevi, revelou deficiências que justificam o porquê de um jogador com o seu curriculum vir jogar para Portugal; Jonhatan reapareceu com mais defeitos e menos qualidades do que aqueles com que se despediu anteriormente; William, médio defensivo que joga quase colado aos centrais, serve exactamente para quê, se não dobra os centrais quando estes são ultrapassados, como foi o caso do segundo golo do opositor? 

No mesmo sentido vai a crítica ao processo defensivo benfiquista: uma desgraça. É assustadora a falta de qualidade do quarteto, e se Fejsa muito disfarça, Samaris ou outro qualquer não têm perfil para o lugar de médio defensivo. Mais à frente falarei de alguns dos casos mais críticos no bloco que protege a rectaguarda benfiquista.

 

OS JOGADORES

 

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Bruno Fernandes

A saída (?) de Adrien veio beneficiar o jovem jogador leonino. Não é óbvia a consistência das suas exibições ao longo da partida: falha muitos passes, alheia-se do jogo com demasiada frequência, parecendo, inclusive, algo desnorteado, como aconteceu durante a primeira parte do jogo de sexta-feira. Porém, atinge momentos de elevada qualidade, tal como o produzido aquando do segundo golo leonino. Em sentido oposto vai o disparate cometido no posicionamento que optou para se opor ao marcador  do primeiro golo do Feirense.

 

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Etebo

O segundo golo dos visitados "é de jogador". Continuo a não compreender como é possível que este atleta se mantenha no Feirense.

 

 

 

 

 

 

 

 

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André Almeida

Pelas vinte e três horas de sexta-feira, li que o seu golo fora "fenomenal" e "um golaço". Sorri. Mais tarde Víctor Oliveira viria dizer o óbvio na terminologia muito própria do futebol: um "chouriço". Gostaria de ver se num teste sem guarda-redes nem oposição, quantas vezes em cem André Almeida seria capaz de, daquele exacto local, colocar a bola na baliza, e, já agora, em quantas daquelas acertaria no ângulo superior direito da mesma. Nenhuma! Vai uma aposta?

Não deixo de assinalar a presunção do atleta ao admitir que o fez intencionalmente, algo que ninguém de bom senso pode acreditar, face às imensas debilidades técnicas do defesa benfiquista que, as mais das vezes, não consegue sequer parar um lançamento a distância. 

 

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Fabrício

O brasileiro, jogador "da casa" pela meia dúzia de anos que já leva no clube, fez a cabeça em água à defesa benfiquista em pleno Estádio da Luz. Não, não me enganei, não estou a falar de Messi, Neymar ou Ronaldo.

 

 

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Pizzi

Pode ter sido eleito o melhor jogador da edição do anterior campeonato; pode ser o menino bonito do treinador; pode ser seleccionável (sem jogar, não obstante); contudo, jamais me convencerá que tem qualidade para ser o distribuidor de jogo de um clube com as exigências do Benfica.

 

 

 

 

 

 

 

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Luisão

O "Girafa" arrisca-se a sair do clube da Luz pela porta pequena, noite alta, para não se expor ao que à boca calada se vem dizendo. A teimosice do atleta em querer continuar a jogar; a temice do treinador em o escalar para o onze; a cenreira do presidente em querer prolongar-lhe o estatuto no balneário, vai, muito provavelmente, provocar um cataclismo na nação benfiquista. A falta de velocodade e de reflexos, a insegurança que o seu posicionamento em campo demonstra, são receita segura para o desastre. Ontem esteve por um triz, mas não faltarão os jogos em que o universo benfiquista lhe apontará o dedo acusatório. Cada um deita-se na cama que faz, é ditado de profunda sageza: conhecê-lo-ão Luisão, Vitória e Vieira?

 

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Felipe

O brasileiro é bom jogador, todavia, jamais será um grande defesa-central por uma simples razão: faz muitas faltas, sendo que, em algumas delas, roça a violência. Ser atleta de um grande garante-lhe, no mais das situações, impunidade a nível nacional. O problema centra-se no plano internacional, pois com estatuto de "caceteiro" a nível dos colossos europeus, só mesmo Sérgio Ramos.

 

 

 

 

 

OS TREINADORES

 

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Jorge Jesus

"Só ganhámos porque estamos com muita alma e com muita crença".

Tem dias.

 

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Nuno Manta

Da mesma forma que o elogiei em momentos vários da pretérita época, assim trago a minha crítica quanto á sua opção por Luís Rocha. Colocar um terceiro defesa-central a poucos minutos do fim, sob forte assédio do adversário, é um risco enorme, pois o jogador entra sem ritmo de jogo e desequilibra o sistema defensivo numa zona crucial. Uma coisa é trocar médios ou avançados, outra, substancialmente diferente, é fazê-lo com defesas centrais. Um erro que, muito provavelmente, custou o empate ao jovem Manta.

 

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Rui Vitória

"Não podemos ganhar sempre por 5-0".

Com excepção do paupérrimo Belenenses, a quem é que o Benfica "dá" cinco? Tanto quanto rezam os resultados, é mais usual sofrê-los.

 

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Sérgio Conceição

Ainda não perdeu e já está  a meter-se em guerras escusadas. Após o jogo com o Chaves, fez uma declaração a evidenciar que tem memória curta sobre decisões tomadas pelo video-árbitro a seu favor, e também que não presta atenção à informação disponibilizada... Ou será que sabe mais do que Duarte Gomes, pedagogicamente, nos elucidou acerca dos critérios do V.A.?

 

ARBITRAGEM

 

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Artur Soares Dias

Protegeu descaradamente os jogadores sportinguistas, permitindo-lhes o recurso a lances faltosos, alguns executados com violência gratuita. Parece ter alterado o seu critério desde o célebre episódio de Gaia, no ano transacto. Seria bom que regressasse ao nível que já demonstrou ser capaz de atingir.

 

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Gonçalo Martins

Não o conhecia. Teve um jogo de decisões difíceis, servidas no "fio da navalha". Revelou sensatez, ainda que possa ser prejudicado na nota pessoal por ter decidido no campo em oposição ao VA.

 

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Rui Oliveira

Outro debutante em jogos deste nível, creio. 

Pergunto se aos jogadores do F. C. do Porto é permitido retardar os  lançamentos de bola laterais para reocuparem posições? Se não deveria ter exibido o cartão amarelo a Oliver por assim ter agido? É que o médio portista acabaria por sofrer admoestação disciplinar aos 53 minutos, o que, sendo o segundo cartão, significaria a expulsão.

 

OS DIRIGENTES

 

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Luís Filipe Vieira

Ninguém contesta a obra estutural de Vieira, verdadeiro enriquecimento do património e condições para os atletas do clube da Luz. Contudo, olhando para a qualidade do plantel da equipa de futebol, será de perguntar ao presidente benfiquista quando pensa explicar aos sócios que o projecto compromete, no curto prazo, as ambições desportivas. Ou muito me engano, ou fortes desilusões vêm a caminho dos adeptos encarnados.

 

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Bruno de Carvalho

As declarações que prestou acerca de William e Adrien evidenciaram o  que por demais se sabia; não tem estofo para ser presidente do clube lá do bairro, quanto mais para o ser do Sporting Clube de Portugal.

 

A TECNOLOGIA

 

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O VA

Continuo a observar com atenção todo o processo de adaptação dos intervenientes desportivos em questão tão exigente como a introdução do video-árbitro. Não me vou deter de novo nas desconchavadas declarações de Sérgio Conceição, antes o faço acerca dos comentários de Víctor Oliveira:

Que cria, caro treinador? Na infalibidade do sistema? Teremos todos que saber viver com critérios diferenciados. Duarte Gomes fala de "factos indubitáveis"... Em decisões tomadas por seres humanos? Em tema tão emocional como o futebol?

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