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Do Futebol

Blog de análise ao futebol: sério, irónico, crítico, construtivo, mas também intolerante para quem não tem princípios nem entende que a vida está muito para além dum pontapé numa bola.

Do Futebol

Blog de análise ao futebol: sério, irónico, crítico, construtivo, mas também intolerante para quem não tem princípios nem entende que a vida está muito para além dum pontapé numa bola.

A VIGÉSIMA-TERCEIRA JORNADA DO CAMPEONATO

OS GRANDES

 

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O Benfica levou de vencida o Chaves num jogo bem interessante e, infelizmente, marcado pela suposta ilegalidade do golo inicial de Mitroglou. Digo suposta, porque, em seu juízo, ninguém pode afirmar que a intensidade do empurrão de grego é superior a idêntica pressão do defesa luso do Chaves. Para alguma coisa está lá o árbitro e, num caso como este, só podemos aceitar que no critério daquele inexista razão para reclamar do golo. Para que fique claro: eu marcaria falta, porém, não sou o juíz do jogo, e muito menos compreendo que adeptos fanáticos armados em comentadores ocasionais defendam o indefensável, quando uma opinião intelectualmente honesta nada viria alterar do desfecho do jogo. Esclareça-se que, ao contrário do Porto-Tondela da semana passada, não se pode falar de "jogo estragado", em grande parte pela atitude e qualidade do futebol praticado pelos onze -- onze, repito para quem não percebeu -- jogadores do Chaves, que, inclusive, viriam mais tarde a empatar, mercê dum belo pontapé de fora da área. O líder mereceu ganhar, contudo, registe-se que, dentre os mais "pequenos", e a par do Rio Ave, os transmontanos são quem melhor futebol pratica.

 

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Sem Adrien, o Sporting é uma equipa banalíssima. Ainda assim, teve uma noite mais fácil do que se suporia. Não por especiais méritos próprios, antes por deméritos, muitos, do adversário. O Estoril, a pior equipa do campeonato português, não passa dum conjunto de jogadores, cada qual a remar para seu lado. Haverá alguém que tenha compreendido a razão da saída de Fabiano Soares? O segundo golo do Sporting é manifestamente precedido de irregularidade, sem com isso pretender beliscar a vitória dos lisboetas.

 

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Porto e Boavista enfrentaram-se num jogo mais parecido com um combate de gladiadores do que um espectáculo desportivo. Na verdade, e, passo a citar, só o comentador da SPORTV acha que foi "um grande jogo a todos os níveis". Espírito Santo deve andar a ler este blog e sentou André Silva no banco. Fez bem. Maxi Pereira foi expulso por tanto tentar enganar o árbitro. Porventura o segundo cartão tenha sido injusto, contudo, o saldo do uruguaio entre o número de vezes que devia ir tomar banho mais cedo, e as que efectivamente foi, é-lhe altamente favorável: ao serviço de Porto e Benfica, diga-se, para não me acusarem de algum anti-portismo, que o não possuo de todo.Talocha e Corona deviam ter sido expulsos, da mesma forma que o foram Alfredo e o nosso conhecido "cónego", independentemente da relação causa/consequência do lance entre o boavisteiro e o portista. O golo de Soares é de duvidosa legalidade, embora, tal como escrevi no caso de Mitrooglou, seja perfeitamente aceitável a decisão do árbitro.

 

TREINADORES

 

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Ricardo Soares tem a fisionomia "quadrada" dos provincianos, mas possui algo mais, muito mais imprtante do que isso: competência profissional. Não sei onde "acabou" Jorge Simão e "começa" Ricardo Soares; tampouco consigo entender que parte do magnífico futebol do Chaves se deve a um ou a outro treinador. Sei sim, que copiar o bom -- se é isso o que se passa -- é inteligente; que fazer com "menos" o que outrém fez com "mais", é assinalável.

No final do jogo com o Benfica, Ricardo Soares deu a todos uma prova de carácter que nada tem a ver com a subserviência de "Inácios" e quejandos. Disse: "Fomos coesos, saímos com critério para o ataque e criámos dificuldades defensivas ao Benfica. Isto na primeira parte, porque na segunda o Benfica foi mais forte, e penso que foi uma justa vitória, mas que podia ser pela margem mínima". E sobre a arbitragem: "Não falo sobre esse tema e hoje não sinto necessidade de o fazer. O Nuno Almeida é um grande árbitro e ponto final, ficamos por aqui".

Se não estivésemos num país sáfaro de oportunidades, o Senhor Ricardo Soares teria, certamente, uma carreira altamente promissora. Bravo!

 

JOGADORES

 

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Luisão

Terá, muito provavelmente, sido vítima da mediatização doutros defesas-centrais que o Brasil possuíu na última década e meia, sem prejuízo de pouco haver confirmado quando pela selecção canarinha actuou. Também não foi, ao contrário do que hoje se veícula, um exemplo de lealdade e fidelidade ao Benfica, tantas foram as vezes que, estrategicamente ou não, pôs em causa a continuidade no "glorioso" ao longo dos anos. Passemos à frente, que errar, erramos todos.

Diria que é bizarro ver Luisão a titular do Benfica. Não que tenha algo contra longevos jogadores, antes porque a situação tem consequências que bem nefastas podem ser para o clube. Luisão é, hoje, uma sombra do que foi ainda há bem pouco tempo: faz faltas a torto e a direito (as que o árbitro vê e as que não vê) por chegar atrasado aos lances; dá pontapés no ar por os músculos já não obedecerem ao cérebro; recua para aquém da linha do fora-de-jogo por receio de ser ultrapassado. Claro que se o Benfica posicionar um autocarro em frente da baliza, como penso que sucederá em Dortmund, Luisão ser-nos-á muito útil, até pela capacidade de jogar de cabeça.

A minha questão prende-se com o futuro: Lisandro Lopez parece ser uma carta fora do baralho; Jardel não tem oportunidades, e quando delas beneficiou mostrou-se fora de forma. Fala-se em jovens de várias origens: que venham à praça!

 

 

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Palhinha

Não segui a carreira do médio leonino, e só ocasionalmente o vi a jogar pelo Belenenses. Contudo, ainda não entendi em que lugar joga o jovem jogador: médio-defensivo "à Jesus", isto é, encostadado aos centrais a distribuir bolas para os lados e para trás? É que o treinador elogiou-lhe as características físicas, tal qual o sugeriu há sete anos atrás, à chegada ao Benfia, quando usava o chavão das "suas ideias" para o posto. 

Um conselho, Palhinha: "Javis Garcia" há-os ao monte.

 

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 William Carvalho e Danilo Pereira

Os dois contendores pelo posto de médio-defensivo na selecção nacional parece terem "cristalizado". O primeiro é uma decepção para as expectativas que se lhe prognosticavam há dois anos atrás. A seu favor a capacidade de sair airosamente de jogadas em que se encontra ladeado de opositores; em desfavor, a falta de intensidade que o seu futebol, movido "a vapor", produz. 

Danilo é um caso diferente. Não se afirmou no Europeu quando teve tudo ao seu alcance, denunciando algumas debilidades psicológicas. Com Espírito Santo desenvolveu capacidades defensivas que, se servem os interesses da equipa, o limitam enquanto jogador de futebol. Raramente passa da linha de meio-campo.

Um prognóstico, caro Danilo: vais acabar a defesa-central.

 

COMENTADORES

 

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Luís Freitas Lobo esteve ao serviço da SPORTV no Guimarães-Moreirense e no Boavista-Porto.

Confesso a minha enorme admiração pelo "Tácticas", eufemismo carinhoso com que o tratamos cá por casa. Eu disse admiração? Qual admiração, qual carapuça: veneração... veneração é a palavra correcta. Sinto-me pequeno quando o ouço, sobretudo as suas capacidades sensoriais. Vamos por partes:

Audição

É espantosa a faculdade que o homem tem de, em pleno estúdio da SPORTV, escutar o que os treinadores dizem, aquando da palestra no balneário, aos jogadores das equipas que se defrontam. Não acreditam? Passemos então ao segundo sentido.

Visão

Ouve-se o apito inicial. O homem não precisa de mais do que dois míseros segundos para nos esclarecer sobre tudo o que se vai passar: o que o treinador pediu (eu não disse?), o que cada jogador terá de fazer em campo; o plano de jogo. Claro que embatuco quando a minha mulher, entretida a passar a ferro na sala, me questiona: "Se ele já sabe tudo o que se vai passar, para que ficas tu sentado a ver o jogo?" Confesso que não sei o que responder a tão óbvia interpelação.

Olfacto

"Cheira a futebol"; "Cheira a golo", são expressões que o Lobo usa, como, aliás, experimenta muitas outras, num exercício ridículo de adaptação semântica da lingugagem a tentar recriar sentidos que as palavras não têm. Isto num licenciado em Direito, imagine-se. A seu favor (ou não), a originalidade de haver transformado contra-ataques em "transicções ofensivas"; lateralizações em "basculações"; jogar no campo inteiro em "movimentos horizontais e verticais". Os pacóvios agradecem e tratam-no por "mago".

Tacto... ou a falta dele

O homem dá-se a premonições, tenta adivinhar o que vai suceder. Como um jogo de futebol é imprevisivel -- salvo na Play-Station -- frequentemente sucede exactamente o oposto do que o Lobo pressagiara. Julgam que se atrapalha? Nem pensar; tem pronto o comentário: " (...) como eu havia dito." Hilariante.

Fala (substitui o paladar por desconhecer do que o Lobo gosta)

O homem não se cala, impede-me de apreciar o jogo, é tão chato que me faz suplicar pelo Pedro Henriques. Por favor, SPORTV...vá lá...

 

Mas há mais: um vulgar homo sapiens tanto "domestica" a mulher quanto a passar os fins-de-semana futebolísticos em frente à televisão, que acaba refém dela... e de si próprio. 

Estava eu, um dia destes, aborrecido a ouvir os comentários do Tácticas, 4X3X3 para aqui, 3X1X2X1X3 (dá dez, certo?) para ali, quando fui, subitamente, alertado pela minha mulher:

-- Esse indivíduo deve ter algum tipo de flirt mental pelos jogadores de nomes esquisitos: não pára de elogiar os Minhoca, Palhinha, Braga, Marco Baixinho, Perdigão. A culpa é tua por teres a TV ligada; a sensibilidade, minha.

-- Fetiche de gente ligada ao planeta do futebol -- respondi algo incomodado.

Ainda assim, fui escutar relatos passado. Não é que ela tem razão? Não acreditam? Vão lá ouvir os comentários levados à exaustão pelo homem nos jogos das equipas daqueles. Ouçam o que disse do Carraça ontem.

 

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Rodolfo

A exemplo da quase globalidade dos ex-jogadores de futebol, o antigo capitão portista domina mal a língua pátria: a qualidade do seu léxico inclui chamar "camelos" e outros mimos aos intérpretes desportivos que não lhe agradam. Ontem, só para dar um exemplo de iletracia, baralhou "clarividente" com "evidente". Adiante. Pessoalmente até lhe elogio o carácter nortenho: o problema está em aceitar ser comentador de futebol (-- Quem te manda, sapateiro, tocar tão mal rabecão? -- Se hoje em dia todos tocam, porque não, porque não, porque não?). Domingo, não se cansou de elogiar, pasme-se, Herrera, o "odiado" pela nação portista, algo em linha com o que Pinto da Costa havia feito na quarta-feira passada, após a confrangedora derrota com a Juventus. Os dezassete pontos que, dizem, levou no pé, deram o  mote para toda uma série de elogios: ele é o grande capitão; ele é valente; ele é galhardo; ele é inesquecível; ele é... enfim, ele é tudo e mais alguma coisa até ao dia que volte a ser culpado por algum golo do Benfica.

Ingente será o dívido moral do F. C. Porto para com Herrera.

 

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JORNALISTAS

O repórter da SPORT TV consumiu o jogo Estoril-Sporting a afirmar que Jesus estava "desgastado" com Palhinha. A cultura é muito bonita: "agastado", caro senhor; "agastado" é o termo correcto.

 

DIRIGENTES

 

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Não sei, nem me interessa saber, quem está por trás da publicação "Dragões Diário", mas certamente não será o "Macaco", que, coitado, andará demasiado atarefado a dar pancada pelo Canelas. Contudo, algures estará a mão protectora da administração portista. Isto para dizer que a citada publicação fez alarde da (má) arbitragem do Benfica-Chaves. Nada a opor, se também o fizesse das que se registaram no Porto-Tondela e no Estoril-Sporting. Curiosamente, em todas elas, os beneficiados foram os grandes.

Deixem-se de hipocrisias, carago!

 

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Bruno de Carvalho

Não vou falar das eleições do Sporting... pelo menos para já. Porém, há algo que me traz estupefacto: o péssimo português que o presidente leonino usa nas suas comunicações pelo facebook. Diria que escreve por impulso, o que raramente dá bons resultados. São tantos os erros ortográficos e de pontuação, que  ponho a mim próprio, apesar de benfiquista, a possibilidade de ir dar uma "mãozinha" ao distraído Bruno de Carvalho. 

 

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UMA EXPRESSÃO

Jesus, quem havia de ser, esclareceu-nos que andou a ensinar Bas Dost a marcar penaltis -- onde raio apendeu ele próprio? -- salientando o medo inicial que o jogador tinha de enfrentar o guarda-redes a partir da marca dos onze metros. Insatisfeito com tanto auto-elogio -- coisa invulgar no treinador sportinguista, como sabemos -- avisou que, futuramente, o avançado leonino marcará uns e falhará outros.

Ficas a saber, Bas Dost: quando marcares, o mérito é "dele"; quando falhares, o burro és tu.

Uma questão: perante a possibilidade real de Dost se sagrar melhor marcador do campeonato nacional, como é possível que a questão só agora se ponha. É que Adrien falha um em cada três...

F.C. PORTO - JUVENTUS

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Antes do mais, sejamos honestos: o Porto entrou, sem razão, cheio de medo do poderio atacante da Juventus. Colocou dois médios defensivos, e, de novo, se apresentou "coxo" no ataque, desta feita, no lado direito, ao deixar Corona no banco. Resultado: Brahimi carregou a equipa pelo lado esquerdo sem qualquer resultado prático (todos temos um Sálvio, certo?)  No lado oposto esperava-se que Maxi desse uma mãozinha... ou um pezinho. Não deu. Maxi Pereira está velho, não tem -- nunca teve -- velocidade, e cada vez mais se remete a efectuar cruzamentos inconsequentes de meia distância (volta Quaresma, estás perdoado) e lançamentos laterais maioritariamente irregulares.

Antes do primeiro quarto de hora, já o árbitro avisava Rubén Neves acerca do número de faltas que ia fazendo, algo que deve ter passado despercebido a Alex Telles, que achou correctas duas entradas "a varrer" sobre os adversários. Rubén exaltou-se -- dum capitão do Porto não se pode esperar outra coisa -- contudo, livrou-se de ir, justamente, para a rua pelo exagero nos protestos; Danilo, menos expansivo, "espetou" com os pitons num italiano por trás e achou-se santinho para ainda reclamar duma arbitragem que pugnava pelo fair-play, algo que pelas bandas do Porto sempre houve dificuldade em entender que coisa seja. A atestá-lo está o contraste entre a forma mal-educada e grosseira como Maxi Pereira reagiu ao cartão amarelo, virando costas e cognominando o árbitro de todos os epítetos de que se lembrou, e a atitude do defesa-direito adversário, Lichtsteiner de seu nome, que, ao atingir involuntariamente Marcano, logo se apressou em pedir desculpa a ambos, atingido e árbitro, numa demonstração de aceitação da justeza do respectivo cartão amarelo.

Qual é o problema do Porto para cair sistematicamente aos pés de equipas de igual valia nas competições europeias? Facilmente se enunciariam outras causas, todavia, a impunidade interna de que goza é-lhe fortemente nociva. A agremiação nortenha tem, nas últimas décadas, disputado a liga lusa acima de todas as regras. Ganhou campeonatos atrás uns dos outros (aqui e ali com justiça, também, é certo), sob o véu da opacidade, não sendo claro que o "apito dourado" esconda tudo o que se passou; custa-lhe a aceitar que na Europa não possam intimidar árbitros ou beneficiar de penaltis fantasmas. A prova esteve nas declarações finais dos seus presidente e treinador. O primeiro achou que seria suficiente atirar com fumo aos olhos dos adeptos: "o jogo durou um par de minutos e depois da expulsão foi de sentido único". Foi! Justamente! Bem ao contrário do jogo contra o Tondela da passada sexta-feira. E já agora, deixe-me que lhe diga sr. Pinto da Costa: há uns anos atrás, com dez ou onze, o Porto atirava-se ao adversário, "até os comemos!", seria o lema. Hoje, conforma-se.

Quanto ao "cónego" Espírito Santo, esconde as suas debilidades com expressões iconoclastas, travestidas de mensagens de esperança: "Temos de fazer um bom trabalho de recuperação e saber que este resultado não pode melindrar o que pretendemos para o jogo no Bessa. Há que recuperar muito bem os jogadores e saber que como equipa seremos capazes de nos levantar e vencer todos os jogos".

Sois Porto, carago!

A VIGÉSIMA-SEGUNDA JORNADA DO CAMPEONATO

OS GRANDES

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O Porto entendeu fazer poupanças a pensar na jornada europeia. Como faltam extremos no plantel, voltou a aparecer "coxo", posto surgir em campo sem Jota nem Ibraimi. Pode lá colocar Octávio, André ou qualquer outro, que o resultado é o mesmo. Quem jogou ou está ligado ao estudo do futebol, sabe que cada posição em campo requer características de quem a desempenha. Espírito Santo já fez a experiência durante um bom par de meses: não resultou. Por essa e por outras, o Tondela pôde mostrar, durante os primeiros quarenta e cinco minutos, um futebol superior ao do anfitrião. Como (quase) sempre acontece, à falta de outros argumentos, o árbitro deu uma ajuda -- subdividida entre um penalty fantasma e uma expulsão injusta --  e o jogo ficou resolvido em desfavor do "pequeno" ainda na primeira parte.

A segunda parte só interessou aos apaniguados portistas a quem a qualidade do futebol produzido pela equipa nada diz: venham os títulos, que o resto é conversa fiada. Para quem gosta de ver um espectáculo de futebol, são necessários dois contendores para haver um jogo. E como as diferenças entre "grandes" e "pequenos" são enormes a todos os níveis, dispensavam-se outros tipos de "clivagens". Certo, senhor árbitro?

 

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O Sporting foi felicíssimo. Se o resultado final fosse de quatro ou cinco a um a favor do Rio Ave, só surpreenderia quem não viu o jogo, ou mais correctamente, os primeiros vinte e cinco excitantes minutos, pois, dum e outro lados, nada se jogou nos restantes sesenta e cinco. Perdeu o melhor. Patrício "engatou"; Jesus ficou na dúvida: Casilhas? Patrício? Vou? Fico?

 

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O Benfica teve uma partida muito difícil, como se esperava, em Braga. Não tendo sido um jogo de primeira água no plano técnico, foi-o na capacidade de entrega das duas equipas. Assim vale a pena ver futebol. O resultado podia ter caído para qualquer dos lados. O Benfica ganhou, porque no momento certo teve um jogador que fez aquilo que os outros não fazem. Tão-só.

 

JOGADORES

Um trio de destaques:

 

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 Sálvio

Tem uma excelente imprensa e comentadores que o endeusam. Faz-me confusão. Reconheço-lhe a maturidade, o saber estar no campo, até uma certa preeminência sobre os colegas. Porém, não posso olvidar que sempre que a bola lhe é dirigida, o jogador vai no um para um; no um para dois; no um para três... e perde-se em rodriguinhos, esquecendo-se que os companheiros também jogam, e, egoísta, chutando de qualquer lado à baliza, ainda que sem qualquer hipótese de marcar. Na verdade desaproveita 95% dos lances em que se envolve. Que produtividade tem Sálvio para a equipa? Um golo aqui, outro ali. Uma jogada com princípio, meio e fim a cada dois ou três desafios. É pouco, muito pouco!

 

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Rui Fonte

Não sigo todos os jogos do Braga, melhor seria, futebol não é a minha vida, contudo, custa-me saber que o Benfica cedeu um jovem desta qualidade ao clube minhoto, envolvido no negócio da compra de Rafa. Não que ponha em causa a qualidade do novo recruta, do qual, logo que melhor integrado e capaz de afinar a finalização, há que esperar tudo. Todavia, entre tantos "ics" sérvios e suiços, não seria preferível a aposta neste jovem? A ver vamos se não nos arrependemos.

 

 

 

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Soares

Não renego o que antes afirmei: trata-se de um extraordinário ponta-de-lança, a lembrar, pela sua fisionomia e características, Lemos, esse mesmo, o dos quatro ao Benfica: ai que saudades, ai, ai!

A surpresa está na rapidez com que aprendeu a jogar "à Porto": manhoso e desonesto.

 

 

 

 

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CLAQUES

Porto és a nossa vida, assim repetem à exaustão os mais "fervorosos" adeptos do clube nortenho. A sério? É mesmo? E as mulheres... os maridos... os filhos... a profissão... onde cabem? Raio de vida mais inane possuem aqueles.

 

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TREINADORES

O "cónego" Nuno Espírito Santo, agora sem os óculos que lhe davam um ar professoral, em pergunta directa acerca dos lances relativos ao primeiro golo e à expulsão do defesa tondelense Osório, veio, na conferência de imprensa pós-jogo, dizer candidamente que "o árbitro é quem está melhor colocado (...), logo, decidiu bem".

Uma pergunta: nos múltiplos jogos em que o treinador portista reclamou por tudo e por nada, onde estava o árbitro? Em Vendas Novas a comer uma bifana?

 

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FORMAÇÃO

Seria bom que o fanatismo clubístico não se confundisse com a desonestidade intelectual com que se aborda o tema. Dizer que se joga com X jogadores da formação, omitindo que entre eles estão consagrados futebolistas com quase trinta anos, é um embuste. Falar de academias significa o tempo presente, não o passado: este só atesta da sua capacidade de recrutamento. Formação significa aposta na presença, hoje, de jovens de primeiro ou segundo ano de seniores na equipa principal. E não, não se podem chamar oportunidades a breves minutos concedidos sem qualquer tipo de estratégia de crescimento do emergente futebolista.

 

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ASPECTOS TÉCNICOS

De há alguns anos a esta parte vimos assistindo à proliferação de longos lançamentos de linha lateral, alguns deles bem acima dos trinta metros. Os "Pereiras" de Benfica, Sporting e Porto iniciaram a saga, hoje amplamente copiada por muitos outros. Nada a opôr se o lance fosse legal: mas não o é. Desde os pés dentro do campo, ao lançamento disfarçado executado com uma só mão, à projecção do esférico em corrida que, forçosamente, impede os dois pés de estarem simultaneamente no chão, até ao deixar simplesmente "cair" a bola, às vezes nas costas do colega que não está a mais dum metro, de tudo vemos. O mais bizarro é que os árbitros o permitam. 

Mas há outras áreas técnicas a que se faz vista grossa. A elas voltarei.

BENFICA - B. DORTMUND

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Não vale a pena chover no molhado: fomos felizes! Raramente vi, no corrente ano, mellhor futebol do que o interpretado pela equipa alemã no Estádio da Luz, a qual reduziu o Benfica à sua pequenez, à vulgaridade do futebol praticado em Portugal.

O sucedido ontem à noite acontece uma em cem vezes. Não nos iludamos. Até acredito que possamos vencer a eliminatória num "outro jogo": enfiar-nos-emos à entrada da nossa área, confiaremos que os deuses voltem a estar connosco, marcaremos, por um qualquer bambúrrio de sorte, um golito, e, no final, diremos que "controlámos o jogo e a eliminatória". Ou não: sofreremos o primeiro golo bem cedo, ao intervalo estaremos a levar três, e, no fim, arranjaremos um qualquer "se", que nos fará sobreviver para atacar o campeonato indígena.

Face à paupérrima exibição do Benfica, urge questionar: tem Vieira um projecto que redimensione desportivamente o nosso clube no plano europeu? Sem Jonas, o único jogador de classe mundial a actuar em Portugal; sem Gonçalo Guedes, talento vendido precocemente, que vale o Benfica? Pouco, muito pouco, à mercê das extraordinárias faculdades de Ederson.

Voltemos atrás: qual o projecto desportivo do Benfica? Melhorar, profissionalizar a estrutura. Até aí... O financeiro é óbvio: formar, vender, baixar a dívida. Funciona? Sim... enquanto da Academia sairem portugueses como André, Cancelo, Bernardo, Cavaleiro, Costa, Sanches, Guedes. E, de fora, estrangeiros como Oblak e Lindelof. Jogadores maduros? Gaitán e... um deserto, assumindo que Jonas não sairá. Faz-me lembrar o grande Ajax. Que aconteceu aos holandeses quando o filão Gullit, Rijkard, Van Basten, Bergkamp terminou? Fizeram dinheiro? Sim. Evoluíram no plano desportivo? Não! Foram condenados à mediocridade.

Pergunto-me: aguentar-se-á Vieira quando da Academia não surgirem "puros-sangue"? Quando a equipa perder dois campeonatos sucessivos? Quando na formação principal se incluirem não mais do que jogadores banalíssimos como Pizzi e André Almeida; jovens sem escola à procura de afirmação como Semedo ou Cervi; veteranos como Luisão e Eliseu; individualistas sem produtividade como Sálvio; apostas inconsequentes como Carrilho? 

Restarão Fejsa, Zivkovic, Ederson e Mitroglou. Se ao primeiro se auguram fortes contrariedades face à sua realidade física, qualquer um dos outros três tem o estatuto de "vendável" em prole do projecto financeiro. 

"Apostamos na formação e na internacionalização", diz Vieira: a formação é como os melões; a internacionalização traz poderio, não títulos desportivos. As vitórias presentes vão mascarando a falta de projectos desportivos. Acreditar que o dinheiro nos trará o céu, é uma questão de fé, e não me parece que Deus se imiscua nesta coisa do pontapé na bola. Dizer que queremos o tetra ou  a champions league não chega. Se o primeiro está tremido, o segundo nem nos nossos melhores sonhos.  Em que ficamos, sr. presidente?

A bem da nação!

A VIGÉSIMA-PRIMEIRA JORNADA DO CAMPEONATO

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OS GRANDES

Benfica, Porto e Sporting (pela ordem classificativa) venceram. Os dois primeiros sem problemas de maior, o terceiro, de forma justa, ainda que bafejado pela sorte, e por um árbitro que fez vista grossa a actos pouco dignos dum profissional como é Adrien Silva. 

O título de campeão só está ao alcance de dois candidatos; o Sporting, através do seu inenarrável treinador, diz hoje o que desdiz amanhã, sendo disso exemplos a "toalha ao chão" ou o "guião Palhinha". O clube de Alvalade ficará comodamente instalado no terceiro lugar, face à irregularidade exibicional e de mentalidade do Braga.

Entre Benfica e Porto asistir-se-á a uma luta até à última jornada, a menos que o duelo a disputar no Estádio da Luz promova diferença inalcançável em qualquer dos planos: o matemático ou o emocional.

 

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OS TREINADORES

A saliência da jornada vai para a forma como Augusto Inácio cumprimentou e abraçou Jorge Jesus. Eram tais as manifestações de júbilo, que dir-se-ia estarmos ante treinador e respectivo adjunto da equipa vencedora. Jamais porei em causa o profissionalismo de quem tem uma entidade empregadora que lhe paga para exercer seu mester, porém, questiono-me: ter-se-á Inácio esquecido que acabara de perder um jogo em casa, partida importantíssima para a sua equipa? Que fica, a partir da presente jornada, em décimo-sexto lugar, quatro meros pontos à frente de Nacional e Tondela? Haja decoro, senhor Inácio.

 

OS JOGADORES

Três jogadores merecem destaque pelo desempenho na jornada. Vamos a eles:

 

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Carrilho

É um talento puro à beira do abismo, como, infelizmente para quem gosta verdadeiramente de futebol, muitos outros que se perdem e perderam por isto ou por aquilo. Não consegue emprestar consistência exibicional ao seu futebol. Jogou bem até cerca dos sessenta minutos; fez um golo com a classe que se sabe ter. Ficamos na dúvida acerca dos motivos para a "generosidade" de Rui Vitória ao conceder-lhe sistemáticas oportunidades, as quais, o peruano vai desaproveitando umas atrás doutras. Fique a extraordinária solidariedade dos colegas que em campo o apoiam incondicionalmente

É agora, Carrilho?

 

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Adrien Silva

Confesso ser um fan do futebol do capitão sportinguista. Desde muito cedo que apostei forte na qualidade que, passados anos, vem a exibir, muito por cima, por exemplo, de João Moutinho, que nunca passou dum mero pêndulo. Dito o que disse, mortifica-me ver tanto talento desperdiçado em quezílias, faltas sem limite, entradas grosseiras à margem das leis, só não penalizáveis pelo seu estatuto de capitão dum grande.

Precisas mesmo de jogar assim, Adrien?

 

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André Silva

Impreparado para o sucesso, o avançado portista deslumbrou-se. Em vez de apostar nas qualidades inatas que possui, achou dever jogar "à Porto", isto é, eivado de vedetismo precoce; manhoso na busca das faltas como se outros argumentos não possuísse; arrogante com os árbitros. Isto tudo num catraio, imagine-se. Prognostico-lhe um final de época no banco: é que chegou Soares, esse sim, um ponta-de-lança a sério.

Modera a vaidade, André.

 

 

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OS COMENTADORES

Domingo, dia 12, tive a paciência de ver e ouvir o programa da noite da SIC. O painel é composto por representantes mais ou menos "encartados" pelos respectivos clubes. Deixo aqui um primeiro comentário, sem prejuízo doutros futuros: mandar Manuel Fernandes calar seria falta de educação; porém, deixá-lo falar é uma enorme falta de dó.

Não arranjam melhor, caros responsáveis da SIC TV?

 

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OS JORNALISTAS

Jorge Jesus, sempre ele, veio, na antevisão da jornada, fazer mea culpa, responsabilizando-se pela exibição de Palhinha no jogo da jornada anterior contra o F. C. do Porto. Cheirando a esturro, como tresanda tão anormal assumpção de culpa, como foi possível que os jornalistas não lhe colocassem de imediato a pergunta sacramental:

- Ao assumir a culpa, está a afirmar que foi incompetente na preparação do embate com o Porto. Certo?

Ficámos todos sem saber como reagiria o "senhor oito milhões".

Caros jornalistas: se deixam fugir as presas, um dia ficam sem almoço.

 

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OS DIRIGENTES

O Sporting não ganha campeonatos nem taças, contudo, lidera a taramelice, os seus responsáveis falam pelos cotovelos... por tudo e por nada, as mais das vezes sem ponta de razão. E agem. Segui atentamente os posts e contra-posts colocados por Palhinha, corroborados por Gelson e, a meio da noite, torpedeados pela direcção leonina. Ao que assisti, chamo ditadura. Sou benfiquista, sempre achei que, sem o Sporting, o meu clube não teria a grandeza que tem. Conheci os extraordinários Vitor Damas e Fernando Peres, este ainda bem vivo.

Que estão á espera, sportinguistas de sempre?

 

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FRASE DA SEMANA

Escolho hoje uma palavra solta, por não necessitar duma frase: "cotovelite". Quem a pronunciou foi Jorge Jesus. A que se referiria? À óbvia e tão popular simbologia relacionada com a dor de cotovelo? Inveja? De quê, sr. Jesus? Do clube por si treinado não ganhar nada e, em muitos casos, envergonhar o futebol português? Ou antes, estaria a referir-se ao salário faraónico que aufere? Acho-lhe piada de mau gosto, se assim foi. O sr. Jorge Jesus é um privilegiado social, alguém a quem se confere valor profissional muito, muitíssimo, para além da razão. Saberá o senhor qual é o salário de eminentes cientistas que contribuem para os avanços das ciências? Não sabe, certamente... mas quem tenta dar lições sobre Pascal a jornalistas...

Manuel Sérgio: é mesmo este o seu pupilo de eleição?

 

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DÚVIDA

 - Aquele cabeceamento do jogador do Braga, no dealbar da partida com o Boavista, não está dentro da baliza?

 

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RIDÍCULO

A Liga decidiu baptizar de "Campeão de Inverno" o vencedor da taça que alude à agremiação. E se o Moreirense descer de divisão? Grande competitividade terá o campeonato dum país que, à vigésima jornada premeia um campeão, o qual, catorze jornadas à frente, termina em lugar de descida de divisão.

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